Redação

Divergência aumenta

O Banco Central Europeu e a Reserva Federal norte-americana seguem caminhos de políticas monetárias diferentes: enquanto o BCE aumenta estímulos monetários, via reduzidas taxas de juro e início de um programa de quantitative easing; a Fed afirma que os juros deverão começar a subir gradualmente e já terminou o seu programa de compra de títulos.

Alertou-se para esta divergência no início do ano, salientando os impactos nas alocações e retornos dos investimentos. De facto, tal aconteceu. A Europa segue com uma performance de quase 20% desde o início do ano, enquanto nos EUA o S&P500 está praticamente inalterado em 2015 – quando medido o retorno em dólares norte-americanos.

O primeiro trimestre do ano já terminou e para os próximos meses não se prevê uma alteração significativa a este paradigma: o BCE deverá continuar mais expansionista, quando comparado com a Fed. Antes pelo contrário, a divergência deverá aprofundar-se, pois o BCE inicia agora um programa de compra de obrigações até setembro de 2016 e, por outro lado, a Fed prepara-se para subir juros até ao final do ano.

Nesse sentido, algumas das tendências dos meses anteriores parecem ter potencial para se manter; nomeadamente a fraqueza do dólar norte-americano face ao euro, embora o movimento já não deva ser tão expressivo como a recente apreciação da moeda única, e o outperformance da bolsa europeia face á bolsa norte-americana, neste caso, mais uma vez, a magnitude desta diferença poderá não ser tão ampla.

Mas as diferenças não terminam aqui. E isto, sim, poderá constituir uma novidade relevante para as perspetivas dos investidores e respetivas decisões de investimento.

A Fed estima que o crescimento norte-americano deverá situar-se, em 2015, entre os 2,3 e 2,7%, uma taxa de crescimento que em larga escala supera a estimada pelo BCE para a Zona Euro: de 1,1%.

Contudo, enquanto nos EUA esta estimativa foi revista em baixa do intervalo entre 2,6 e 3%, no BCE a revisão ao crescimento foi positiva, face aos 0,8% anteriores. Ou seja, para os EUA prevê-se, agora, menos crescimento que anteriormente, e para a Zona Euro, pelo contrário, estima-se maior crescimento, significando uma inversão das dinâmicas macroeconómicas de 2014.

Esta divergência entre as principais regiões económicas mundiais, somada da postura dos bancos centrais, pode originar comportamentos distintos nos ativos de risco subjacentes.

Com esta informação, os investidores deverão recordar que, por um lado, as estimativas de crescimento são um fator em consideração para a performance dos ativos financeiros, mas, por outro lado, um cenário menos positivo nos EUA poderá atrasar a subida dos juros e um cenário mais positivo na Europa poderá levar o BCE a adotar uma postura um pouco menos agressiva. E isto deverá ter o efeito contrário nas performances dos ativos de risco.

Os bancos centrais, para já, parecem pouco sensíveis às alterações das tendências macroeconómicas, com a Fed a reiterar a probabilidade de uma subida dos juros e o BCE, por seu turno, a manter-se firme na sua postura expansionista. Mas caso as leituras recentes se estendam nos próximos meses, poderá haver alterações na retórica dos bancos centrais.
Os investidores deverão, assim, continuar a estar atentos a estas divergências.

Duarte Mallaguerra Nunes
Direção de Investimentos, Banco Best

 

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