A defesa dos trabalhadores é um tema central para todos, havendo, porém, várias visões sobre qual o caminho a seguir e como se deve proceder para fazer da melhor forma. É bom que assim seja, pois, o interesse dos trabalhadores defende-se com liberdade. Liberdade de discussão, liberdade de negociação, liberdade de iniciativa e liberdade para trabalhar.
É um equilíbrio que afasta uma vontade de confronto e de antagonismo e procura harmonizar interesses para melhor servir os interesses em causa e que são, afinal, de todos, onde também se junta o resultado incontornável da negociação coletiva e os acordos alcançados em sede de Concertação Social. Aqui, para além das linhas enquadradoras dadas pelo Estado, está em causa o encontro de vontades dos protagonistas diretos do mundo do trabalho: trabalhadores e empregadores.
Consensualizar os diversos interesses em causa na relação laboral e o equilíbrio que se vai encontrando, a cada momento, são fatores indispensáveis para o desenvolvimento da economia, para promover o chamado elevador social e a indispensável paz social que todos almejamos e que é condição sine qua non do progresso dos cidadãos, das famílias, das empresas, do País.
Vem isto a propósito, das últimas lutas mais acesas dos professores, e mais recentemente dos médicos, mas, na verdade, são muitos os setores cujos trabalhadores procuram a dignificação da profissão. O Parlamento deve, pois, estar atento aos possíveis atentados aos direitos dos trabalhadores noutros setores da economia, como o financeiro, telecomunicações, energia, comércio e outros. São inaceitáveis e devem ser rechaçados pelo estado de Direito de que nos orgulhamos.
Todos temos de estar do lado da estabilidade do mundo do trabalho, do respeito ao próximo, da dignificação do trabalho, na esperança, a cada dia renovada, de um país mais desenvolvido, mais equitativo, mais justo e respeitador dos direitos de quem trabalha ou empreende. E não há empresas sem trabalhadores, nem trabalhadores sem empresas.
Mais do que nunca urge agir, todos temos um combate feroz pela frente, para travar as desigualdades que se acentuam e os cortes salariais líquidos que aumentam, mas também um combate para minimizar as dificuldades das nossas empresas e dos empresários que sentem a falta de proteção e apoio do Estado, na luta que todos travam para combater a inflação.
Como refere a OIT – Organização Internacional do Trabalho, o trabalho digno para todos deve ser colocado no centro das políticas do crescimento e do desenvolvimento sustentável e inclusivo. E o atual momento é de investir sem reservas na proteção às famílias, ao emprego, à economia, aos nossos trabalhadores e empresas. É um desígnio nacional a cumprir.