Pelo terceiro mês consecutivo, o desemprego aumentou em Portugal. De acordo com os dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em janeiro, a taxa fixou-se em 7,1%, acima dos 6,8% registados no mês anterior. Há dois anos que esse indicador não ultrapassava a barreira dos 7% em Portugal, mas o Governo tem desvalorizado essa trajetória do mercado de trabalho. Já os empresários têm vindo alertar que é preciso prestar atenção.
“Em janeiro de 2023, a taxa de desemprego aumentou para 7,1%, o valor mais elevado desde novembro de 2020, quando foi de 7,3%”, revela esta manhã o gabinete de estatísticas. Face ao mês anterior, em janeiro, houve um acréscimo de 0,3 pontos percentuais, enquanto em comparação com período homólogo houve um salto de 1,2 pontos percentuais.
Apesar dos efeitos da guerra, o mercado de trabalho português mostrou-se resiliente, ao longo do último ano, mas no final de 2022 surgiram os primeiros sinais de uma viragem do ciclo, nas palavras dos economistas já ouvidos pelo Jornal Económico. É que em novembro a taxa de desemprego subiu de 6% para 6,5%, tendo aumentado, depois, para 6,8% em dezembro. Já em janeiro chegou aos 7,1%.

É preciso recuar a janeiro de 2021 para encontrar um outro valor acima da barreira dos 7% e a novembro de 2020 para encontrar uma taxa mais elevada do que a verificada no início de 2023, sendo que ambos esses meses foram marcados de modo muito significativo pela pandemia e pelas restrições à atividade a ela associadas.
Em contraste, em janeiro de 2023, poucas foram as medidas ligadas à covid-19 ainda em vigor, mas a inflação, a subida dos juros e os demais efeitos do conflito em curso no leste europeu estiveram (e estão) agora a pressionar o mercado laboral luso.
Tanto que na sua última carta aos empresários como presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva chamou a atenção para essa trajetória. O Governo não tem, porém, mostrado sinais de preocupação e o ministro das Finanças, Fernando Medina, disse mesmo esta terça-feira no Parlamento que é preciso manter a força do emprego no ano em curso.
Quanto à população desempregada, o gabinete de estatísticas refere que havia 374,mil pessoas nessa situação no arranque do ano, mais 5,5% do que no final de 2022 e mais 22,3% do que em janeiro de 2022.
Por outro lado, o INE revela que a taxa de emprego estabilizou em 63,6% em janeiro, valor igual ao registado em dezembro, mas abaixo dos 63,8% verificados no mesmo mês de 2022. Já a população empregada aumentou em cadeia 0,5% para 4.892,7 mil pessoas. Em termos homólogos, a subida foi 0,1%.
A população ativa fixou-se, assim, em 5.267,5 mil indivíduos, mais 0,8% do que no mês precedente e 1,4% do que no mesmo mês do ano anterior. Em sentido inverso, a população inativa emagreceu 0,4% em cadeia e 1,8% em termos homólogos para 2.424,7 mil pessoas.
“O aumento da população ativa resultou do acréscimo da população empregada (24,0 mil; 0,5%) e da população desempregada (19,6 mil; 5,5%). Por seu lado, a diminuição da população inativa foi explicada, principalmente, pelo decréscimo do número de inativos disponíveis para trabalhar, mas que não procuram emprego (7,5 mil; 6,1%)”, detalha o INE.
Já a taxa de subutilização do trabalho situou-se em 12,4%, valor superior em 0,2 pontos percentuais ao do mês anterior e em 0,9 pontos percentuais ao do mesmo mês de 2022. Essa taxa não era tão elevada desde junho de 2021.
A subutilização de trabalho inclui desempregados, subemprego em tempo parcial, inativos disponíveis para trabalhar mas que não procuram um novo posto, e inativos que procuram emprego mas não estão disponíveis para começar um novo trabalho.
Atualizada às 11h35