Descida dos preços na bomba na próxima semana? Ainda há muitos “ses” pelo caminho

Preços do petróleo e do gás desceram em reação ao acordo de paz, mas é preciso que os preços do gasóleo/gasolina se mantenham em baixa nos mercados internacionais ao longo da semana para os preços descerem na bomba na próxima semana.

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O aparente acordo de paz entre os EUA e o Irão trouxe acalmia aos mercados internacionais de energia na segunda-feira. Mas quanto tempo vão durar as tréguas?

Os preços do petróleo desciam mais de 5% para quase 83 dólares na tarde de segunda-feira, com os preços do gás a recuarem mais de 9% para mais de 42 euros/Mwh.

Mas ainda é cedo para cantar vitória. Os preços dos combustíveis nas bombas portuguesas só recuam na próxima semana, se a paz se mantiver durante esta semana, pois os preços do combustível para uma semana são calculados tendo em conta as cotações de gasolina/gasóleo na semana anterior.

“Vamos esperar que não haja nenhum retrocesso. Se o preço do crude continuar aos níveis de hoje [segunda-feira] nos 83 dólares… se se mantiver e se tiver impacto no preço dos refinados, o que ainda temos que confirmar, isso implicará a descida dos preços na próxima semana que refletem as cotações da semana anterior… ainda é prematuro”, disse ao JE o secretário-geral da Epcol, associação que junta as petrolíferas a operar em Portugal.

“Se efetivamente os preços estabilizarem, e se não houver qualquer outro acontecimento que mude a situação do ponto de vista geopolítico, é natural que acabe por ter alguma redução”.

“O que nos interessa são as cotações dos produtos refinados da gasolina e do gasóleo. Se se mantiver esta tendência de estabilidade, é muito provável que assistamos na próxima semana” a uma descida.

A ministra do Ambiente e da Energia disse esta segunda-feira esperar que os preços dos combustíveis desçam com o acordo de paz entre os EUA/Israel e o Irão.

“A confirmar-se, será muito boa notícia. Esperamos que baixe o preço dos combustíveis em geral”, segundo Maria da Graça Carvalho.
“Deixa de haver o perigo de alguma falha de fornecimento que era tão receada no nosso país, ou noutros países, o que podia afetar a nossa economia”, acrescentou esta segunda-feira.
“Tudo leva a crer que a partir da semana que vem haverá uma descida. Esperemos que sim”, previu.
Neste cenário, a governante também espera que sejam reduzidos os apoios dados pelo Governo ao consumo de gasóleo em vários setores, libertando o Fundo Ambiental para os seus “principais objetivos” em todos os “processos de descarbonização” de “ajudar nos impactos das alterações climáticas”.
“Estávamos a utilizar com bastante cautela, exatamente porque não tínhamos a perspetiva de quando é que estes apoios necessários ao diesel iam acabar”, acrescentou.

Os EUA e o Irão anunciaram na segunda-feira ter chegado a um acordo interino para reabrir o estreito de Ormuz.

Os dois países vão reunir-se na Suíça a 19 de junho para assinar formalmente o acordo, o que sinaliza que ainda existem aspetos a ser resolvidos.

Não foi emitido nenhum documento, com os pontos principais a ficarem para a próxima ronda de conversações.

Agora, vão ter 60 dias de negociações sobre o futuro do programa nuclear de Teerão.

“O Grande Acordo vai trazer paz e segurança a toda a região”, escreveu o presidente norte-americano nas redes sociais.

O estreito de Ormuz deverá ser reaberto a 19 de junho, após o acordo ser assinado e a remoção das minas da via marítima.

Antes da guerra, o estreito era responsável por abastecer um quinto de todo o petróleo e gás global.

Neste momento, 600 navios aguardam por passagem no Golfo Pérsico, com várias centenas à espera do lado de fora do Golfo.

“O Irão obrigou o inimigo EUA-Israel a terminar a guerra em todas as frentes”, segundo a televisão estatal iraniana.

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