A banca europeia tem vindo a melhorar a remuneração dos depósitos. Ainda assim, a DBRS considera que os juros vão subir mais rapidamente do que o esperado pelo sector, devido à retirada de liquidez do BCE mas também à necessidade de travar a saída do dinheiro para produtos fora de balanço, sobretudo em Portugal e Espanha, onde o aumento das taxas tem sido, na perspetiva da agência de notação, “mais limitado”.
A subida célere dos juros pelo Banco Central Europeu, numa tentativa de abrandar a escalada da inflação, tem beneficiado o sistema financeiro, nomeadamente através da melhoria da margem financeira. No entanto, várias entidades e reguladores têm alertado que isto ainda não se está a refletir nos juros dos depósitos pagos aos clientes bancários.
“As taxas de juro nos depósitos de clientes europeus cresceram, em média, apenas 13%”, aponta a DBRS numa nota divulgada esta terça-feira, sublinhando que, neste cenário, a remuneração deverá continuar a aumentar.
“Consideramos que há alguns indicadores de que os custos com depósitos poderão aumentar mais rapidamente do que o esperado pelos bancos”, indica a agência de notação. Por um lado, prevê-se uma “deterioração das condições de liquidez no seguimento do reembolso da maior parte do financiamento do BCE ao abrigo do TLTRO, em junho”. A 28 de junho, 476,8 mil milhões de euros em empréstimos concedidos ao abrigo do programa TLTRO do banco central vão atingir a maturidade.
Por outro lado, “está a aumentar significativamente a concorrência por depósitos na União Europeia”, indica a DBRS. Mas há ainda um outro fator. “Os depositantes já estão a reagir [à baixa remuneração dos depósitos] e a transferir o dinheiro para produtos fora de balanço a um ritmo crescente”, como, por exemplo, seguros de capitalização ou fundos de investimentos.
“Isto está a acontecer na maioria dos países da União Europeia, mas é, em geral, mais significativo nos países onde o reflexo da subida dos juros na remuneração dos depósitos está a ser mais limitado, como em Espanha e Portugal”, refere na nota divulgada esta terça-feira. Ambos os países têm também registado um aumento significativo da procura por produtos de poupança do Estado, como os Certificados de Aforro.
Nesse sentido, “consideramos que os bancos europeus serão pressionados a subir os juros nos depósitos nos próximos trimestres de forma a travarem a saída de depósitos, numa altura em que os clientes continuam a procurar produtos com maior rentabilidade”.