Naiole Cohen, Economista, Professora na Universidade Agostinho Neto, Luanda

Da prosperidade à adversidade, uma história da curva de Laffer

À medida que os cortes de impostos eram implementados, a classe média percebia que pouco ou nada mudava na sua vida. As prometidas melhorias económicas pareciam distantes.

“Não existe dinheiro público. Existe apenas dinheiro do pagador de Impostos.” Esta frase lapidar de Margaret Thatcher faz-me lembrar uma história que, qualquer semelhança com a realidade, é pura coincidência.

Era uma vez um país que estava a passar por crises económicas e políticas. A classe média, sempre tão resiliente, estava a ser duramente afectada por altas taxas de impostos e incertezas sobre seu futuro financeiro. Era como se estivessem a ser sufocados, com cada vez menos recursos para sustentar as famílias e garantir um mínimo de estabilidade e previsibilidade.

No meio desse caos, um economista renomado surgiu com uma teoria revolucionária, conhecida como a curva de Laffer, onde afirma que existe um ponto óptimo de tributação para maximizar a receita do governo. Segundo ele, a carga tributária sobre os cidadãos poderia atingir um ponto em que, ao invés de aumentar a arrecadação, resultaria na diminuição da mesma. Parecia uma luz no fim do túnel para a classe média, que esperava ansiosamente por medidas que aliviassem seu fardo financeiro.

Com base nessa teoria, o governo decidiu implementar uma série de cortes de impostos, principalmente para os mais ricos. A ideia era estimular o crescimento económico e, consequentemente, aumentar a arrecadação de forma mais eficiente. Parecia uma solução perfeita, capaz de trazer alívio para aqueles que mais precisavam. No entanto, a realidade não correspondia às expectativas.

À medida que os cortes de impostos eram implementados, a classe média percebia que pouco ou nada mudava na sua vida. As prometidas melhorias económicas pareciam distantes, enquanto seus próprios recursos continuavam a escassear.

Afinal, quem se estava a beneficiar com os cortes dos impostos? Certamente não era a classe média. Os mais ricos, que deveriam ser o motor do crescimento económico, pareciam estar a acumular mais riqueza sem repassar os benefícios esperados para o restante da sociedade.

A prometida melhoria da economia não se materializou, enquanto a desigualdade social e económica só parecia se acentuar. Isso ocorre porque a classe média geralmente possui uma renda “relativamente alta”, mas não o suficiente para se beneficiar de isenções fiscais ou outras formas de alívio fiscal destinadas aos mais ricos.

Portanto, se a matriz de impostos se alterar a um nível em que a classe média seja fortemente tributada, isso pode resultar em uma diminuição de seu poder de compra, redução da poupança e investimento e até mesmo em dificuldades financeiras significativas.

Era uma vez uma boa ideia que se havia se transformado num pesadelo para a classe média. Portanto, seria preciso repensar as políticas económicas e tributárias… Falharam porque não levaram verdadeiramente em consideração as necessidades da classe média e não encontraram soluções mais equilibradas e mais justas.

Nessa parte da história dizem que não correu bem devido aos chamados “jogos políticos, eleições e bastidores” … Enfim, histórias! Que pena ser uma história triste, gosto mais de histórias em que foram felizes e prósperos para sempre, mas na realidade é um óptimo lembrete.

A autora escreve de acordo com a antiga ortografia.

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