COTEC quer aproximar academia e empresas

O problema está diagnosticado há muito, mas não é por isso que deixou de existir. Os gastos em investigação estão a crescer em Portugal, mas continuam a pesar (em termos de PIB), cerca de metade da média da União Europeia

COTEC quer aproximar academia e empresas
Jorge Portugal

O diretor-geral da COTEC, Jorge Portugal, e o presidente da administração da agência Lusa, Joaquim Carreira, conversaram sobre o estudo ‘O Impacto da Utilização do Conhecimento no Desempenho Económico Empresarial’ da COTEC Portugal. Esta segunda conversa decorreu no Porto e resulta de uma parceria entre as duas empresas, que pretende transmitir a necessidade imperiosa de fortalecimento da ligação entre a academia e as empresas.

O debate centrou-se na relação entre empresas e universidades e nos próximos passos a dar em Portugal para criar e consolidar parcerias de inovação que resultem na industrialização e no crescimento da produção com mais-valias.

O estudo assinala que uma parte das exportações está sustentada em bens que têm muito pouco valor acrescentado – alguns deles têm quase tanto impacto nas importações como nas exportações – o que implica que o processo de transformação é ainda insipiente. Nesse contexto, a aposta na inovação e na investigação e desenvolvimento continua a ser a forma certa para acrescentar valor à transformação e produzir bens com impacto significativo nas exportações.

Para Jorge Portugal, “há ainda uma relação precária entre a academia e as empresas”. Por vezes, essa relação é pouco mais que “uns copos em conjunto”, ironizou. Um problema identificado há décadas, mas que continua a pesar negativamente numa relação que devia estar suficientemente ‘oleada’ para gerar valor.

Um dos dados do problema, confirmou o diretor-geral da COTEC, reside no facto de o país gastar apenas cerca de 1,36% do PIB em inovação. “É melhor que os anteriores 1,29%, mas é apenas cerca de metade da média da União Europeia”, o que coloca o país num patamar de inferioridade em relação a economias de dimensão semelhante no quadro da União.

Este facto, enfatizou ainda aquele responsável, resulta da deficiente “transferência de conhecimento” da academia para as empresas. Do cado das empresas, recorde-se, a queixa é que alguma da investigação da academia é demasiado ‘exotérica’. Ou seja, a sua aplicabilidade não é prática, mas apenas teórica – o que acaba por ser uma espécie de esforço inútil.

Diversas associações empresariais têm dito ao longo dos anos que é necessária uma aproximação entre as necessidades das empresas e os caminhos da investigação académica – no sentido de se encontrar um lugar que seja benéfico para as duas partes envolvidas.

A jornada da COTEC e da Lusa em redor destas matérias pretende ser uma forma de não só chamar a atenção para este (antigo) problema, como de promover precisamente o ‘match’ entre a academia e as empresas.

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