Desde 2017 que a província de Cabo Delgado, em Moçambique, tem sido afetada por uma escalada de violência armada, que já levou à fuga de 1.028.743 pessoas, segundo o relatório “Guerra, deslocamentos forçados e resposta à crise em Cabo Delgado” da Organização Não-Governamental (ONG) Ajuda em Ação, que cita dados recentes da Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Forçada a fugir das zonas de conflito, a grande maioria das pessoas perde o seu meio de subsistência, uma vez que 44,1% da população vive da agricultura, silvicultura, pesca e exploração mineira, vendo-se obrigada a depender da ajuda humanitária.
Segundo o relatório, 44% da população vive abaixo do limiar da pobreza, 52% está desnutrida e 19% sofre de desnutrição crónica. Cerca de 46% não tem acesso a água e apenas 16% consegue ter acesso a eletricidade.
A população deslocada tem enfrentado uma grande dificuldade para encontrar emprego, sendo que a maioria da população deseja regressar a casa. O diretor da Ajuda em Ação em Moçambique afirma que este é um dos problemas que “impede a população deslocada de avançar e reconstruir a sua vida”.
A ONG alerta para a importância de as organizações no terreno levarem a cabo intervenções que respondam às necessidades da população deslocada, e a melhorar o acesso a bens e serviços essenciais para as comunidades de acolhimento.