Redação

Como demonstrar robustez nos serviços de cloud computing

O fenómeno das redes sociais e a disseminação das novas tecnologias em geral têm ajudado a dar visibilidade a novos problemas que habitualmente se escondiam atrás do biombo dos especialistas.

O ponto de equilíbrio entre a necessidade (e vontade) de alargar o acesso a estas novas ferramentas de comunicação e os tradicionais (pelo menos para a sociedade ocidental) direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, é um problema premente.

Recentes casos que vieram a público, desde a divulgação de imagens íntimas de celebridades até ao mais complexo caso de espionagem em massa alegadamente realizada pela NSA, agência de segurança nacional norte-americana, tornaram claros os riscos e ameaças que este novo mundo também incorpora.

O incremento avassalador de dados e informação a circular por todo o planeta abre um infindável campo de novas oportunidades de conhecimento, de negócio e de real melhoria da qualidade de vida para as populações à escala global.

A esse respeito, a denominada tecnologia cloud proporciona eficiências incontestáveis, mas não deixa de trazer novos desafios para quem se preocupa com a segurança, fiabilidade ou privacidade dos seus dados.
A migração de dados e sistemas para a “nuvem”, de forma massiva, gera um sentimento de perda de controlo que – reconheça-se – é, em certo sentido, real. Por isso, qualquer processo desta natureza deve saber mesclar arrojo com sageza, não desprezando os seus riscos. E este princípio é tão válido para as grandes organizações como para cada um de nós no interface diário que vamos tendo com as novas tecnologias.

Assim, deverá ser saudada a recente aprovação, pelo Organismo Internacional de Normalização (ISO), da nova norma ISO 27018 aplicável ao tratamento de dados pessoais pelos prestadores de serviços de cloud computing. Apesar de datada do passado mês de julho, esta adoção passou relativamente despercebida no nosso país. Algo pouco compreensível, na medida em que esta norma pode representar uma garantia de grande relevância para os cidadãos e para as empresas. Trata-se da primeira norma especificamente direcionada para as soluções cloud, impondo requisitos específicos para os processadores de dados e integrando as exigências da Diretiva Europeia de Proteção de Dados. Ao nível empresarial, os utilizadores, consumidores e clientes de um determinado serviço poderão ter acesso a uma certificação ao abrigo desta norma e a auditorias e respetivos relatórios elaborados por entidades terceiras, garantindo – nos casos em que tal se verifique – a sua conformidade com esta ISO 27018.

Assim, este será também um meio particularmente escorreito para que os fornecedores de serviços cloud demonstrem que as suas políticas e práticas de privacidade são robustas, e em linha com as melhores práticas da indústria. A adoção deste novo padrão de conformidade com esta nova norma internacional constituirá uma significativa vantagem competitiva.

No momento que vivemos, todos os potenciais clientes valorizarão este requisito e esta orientação de respeito pelas regras de segurança e privacidade. Quer falemos de cidadãos, de empresas ou mesmo do setor público, onde esta norma previsivelmente será integrada nos requisitos de contratação.

Luís Sousa
Presidente da Associação Portuguesa de Software

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