Comissão Europeia obriga Meta a reabrir WhatsApp a assistentes de IA de terceiros

Esta decisão surge depois de, em fevereiro, a Comissão Europeia ter notificado a Meta sobre um potencial abuso de posição dominante no mercado, após a empresa tecnológica ter anunciado em outubro uma atualização dos termos do WhatsApp Business que impedia a utilização de assistentes de Inteligência Artificial (IA) de terceiros na aplicação.

Comissão Europeia obriga Meta a reabrir WhatsApp a assistentes de IA de terceiros
Whatsapp

A Comissão Europeia obrigou esta terça-feira a Meta a restabelecer o acesso de assistentes de IA de terceiros ao WhatsApp, até concluir uma investigação à empresa, afirmando que isso é imprescindível para impedir “danos irreparáveis” à concorrência no setor.

Esta decisão surge depois de, em fevereiro, a Comissão Europeia ter notificado a Meta sobre um potencial abuso de posição dominante no mercado, após a empresa tecnológica ter anunciado em outubro uma atualização dos termos do WhatsApp Business que impedia a utilização de assistentes de Inteligência Artificial (IA) de terceiros na aplicação.

Em reação a esta notificação da Comissão Europeia, a Meta decidiu, em março, voltar a permitir a utilização desses assistentes, mediante o pagamento de uma taxa, o que o executivo comunitário considerou ser, “na prática, equivalente à anterior proibição de acesso”, uma vez que a taxa em questão é “demasiado elevada”.

Num comunicado hoje divulgado, a Comissão Europeia considera que é necessário forçar a Meta a restabelecer o acesso de assistentes de IA de terceiros ao WhatsApp “para prevenir danos graves e irreparáveis à concorrência no mercado em crescimento dos assistentes de IA de uso geral”.

“A alteração de política da Meta corre o risco de prejudicar a concorrência num momento crucial para o desenvolvimento desse mercado, em que operadores de menor dimensão e novos concorrentes podem desafiar os grandes intervenientes já estabelecidos”, afirma o executivo.

Assim, a Comissão Europeia ordena à Meta que “restabeleça o acesso de assistentes de IA de uso geral de terceiros ao WhatsApp Business, nos mesmos termos e condições que vigoravam antes de 15 de outubro de 2025, altura em que esse acesso era gratuito para todos esses assistentes de IA”.

“A Meta deverá manter esse acesso nessas condições até que a Comissão adote uma decisão final sobre o caso. Tal é necessário para garantir a eficácia dos poderes da Comissão em matéria de aplicação do direito da concorrência, bem como de qualquer decisão final que venha a ser adotada relativamente à legalidade da conduta da Meta”, lê-se.

A Meta tem agora até cinco dias úteis para cumprir a ordem hoje anunciada pela Comissão Europeia.

Citada no comunicado, a vice-presidente da Comissão Europeia com a pasta da Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, refere que é necessário tomar esta medida provisória porque, “nos mercados em rápida evolução, pode-se perder competitividade” no tempo que a Comissão Europeia demora a chegar a uma decisão final.

“É por esta razão que estas medidas provisórias permanecerão em vigor durante toda a investigação, a fim de evitar danos que seriam praticamente impossíveis de reparar”, afirma.

A comissária salienta que a decisão hoje tomada irá “salvaguardar a concorrência no mercado em crescimento dos assistentes de IA, preservando um canal essencial para chegar aos consumidores na Europa – o WhatsApp – e permitindo que as empresas de IA inovem, ganhem escala e concretizem plenamente o seu potencial”.

“Com a decisão hoje adotada, garantimos também que os cidadãos europeus continuem a poder escolher os assistentes de IA que desejam utilizar com o WhatsApp, em vez de essa escolha lhes ser imposta”, acrescenta.

A Meta é a dona das redes sociais Facebook e Instagram, bem como de aplicações de comunicação para consumidores, como o WhatsApp e o Messenger.

Relacionado

Governador do Banco de Inglaterra alerta que modelos avançados de IA colocam em risco sistema financeiro

Governador do Banco de Inglaterra alerta que modelos avançados de IA colocam em risco sistema financeiro

Ruben Pires31 Ago
Numa carta enviada aos ministros das Finanças e aos governadores do bancos centrais do G20, que foi transcrita pela "CNBC", Andrew Bailey considerou que os modelos de IA mais avançados estão a demonstrar "autonomia e capacidade" de resolução de problemas "cada vez mais sofisticadas, bem como potencial para gerar ameaças", e identificou o potencial impacto dos [modelos] de IA, referindo-se ao risco cibernético como sendo a "preocupação mais imediata" para o sistema financeiro.
Meta rejeita acusações de deliberadamente viciar jovens em redes sociais

Meta rejeita acusações de deliberadamente viciar jovens em redes sociais

Um júri irá decidir se os procuradores-gerais dos estados provaram a sua tese de que a tecnológica desenhou as aplicações para “viciar os utilizadores, retê-los o maior tempo possível, recolher os seus dados e esconder a verdade do público”, tal como referiu a procuradora-geral adjunta do Departamento de Justiça da Califórnia, Megan O’Neill, nas suas declarações iniciais.
Empresas ‘escondem’ três biliões de dívida ligada à IA

Empresas ‘escondem’ três biliões de dívida ligada à IA

Ruben Pires18 Ago
Em causa estão 1,9 biliões de dólares (1,6 biliões de euros) em compromissos de compras, que se traduzem em contratos para adquirir chips, servidores, e hardware a fornecedores, a que se juntam mais 1,2 biliões de dólares (um bilião de euros) em contratos de leasing que estão assinados, mas que ainda não se iniciaram, pelo que ainda não constam do balanço das respetivas empresas. As empresas em causa são: Microsoft, Amazon, Alphabet (que detém o Google), Meta, Oracle, Nvidia, Broadcom, AMD, e SpaceX.