A China decidiu impor uma proibição de exportação à Nexperia depois do Governo dos Países Baixos ter decidido adquirir a empresa chinesa de chips, invocando a Lei de Disponibilidade de Bens, com base em motivos de segurança, avança o site NL Times.
A Nexperia referiu que a sua subsidiária chinesa e os subcontratados estão proibidos de exportar determinados componentes acabados e produtos semiacabados desde 4 de outubro. A empresa, que tem uma fábrica em Dongguan (na China), capaz de produzir mais de 50 mil milhões de chips por ano, adiantou também que está em negociações com as autoridades chinesas para o levantamento das restrições.
“A Nexperia está a interagir ativamente com as autoridades chinesas para obter uma isenção destas restrições e mobilizou todos os recursos disponíveis para o efeito. Estamos em diálogo próximo com todas as autoridades governamentais nacionais e locais relevantes para mitigar o impacto desta medida”, disse a empresa, como transcrito pelo NL Times.
Governo dos Países baixos invocou questões de segurança
O executivo dos Países Baixos invocou de forma “altamente excecional” a lei ‘Availability of Goods Act’, que numa tradução livre seria a ‘Lei da Disponibilidade de Bens’, para adquirir a empresa devido a “sinais agudos de graves deficiências de governação” na empresa e por temer também a transferência de tecnologia para a empresa-mãe chinesa a Wingtech.
O executivo defendeu também que a “perda destas capacidades pode representar um risco para a segurança económica dos Países Baixos e europeia”. Os chips da Nexperia são utilizadas em várias áreas como por exemplo os computadores, automóveis elétricos e centros de dados de inteligência artificial.
De acordo com o NL Times a ordem de um ano proíbe a empresa de “realocar partes da empresa, despedir executivos existentes e/ou tomar outras decisões sem a permissão explícita do Governo dos Países Baixos”.
De acordo com a Reuters o governo não terá a propriedade da Nexperia mas terá o poder de reverter ou bloquear decisões tomadas pela administração que considere prejudiciais.
A Wingtech considerou, citada pela Reuters, que a intervenção do governo holandês na Nexperia é uma “interferência excessiva motivada por um enviesamento geopolítico”. A Wingtech alegou também que os executivos não chineses da Nexperia “tentaram alterar à força” a estrutura acionista da empresa através de processos judiciais numa “tomada de poder disfarçada” sobre a empresa.
Já um porta-voz da Nexperia, citado pelo canal britânico BBC, referiu que a empresa “cumpre todas as leis e regulamentos existentes, controlos de exportação e regimes de sanções”.
O governo chinês considerou que a aquisição da Nexperia, pelo governo dos Países Baixos, é “extraordinariamente vergonhosas”, de acordo com o Global Times [transcrito pelo NL Times], de é controlado pelo Partido Comunista da China.
“Ninguém deve subestimar a determinação e a capacidade da China para defender os seus interesses. Isto não deve ser visto como um conflito entre o governo dos Países Baixos e uma empresa chinesa — é uma violação flagrante das regras internacionais por parte dos Países Baixos”, salienta o governo chinês, de acordo com o Global Times.
Tribunal afastou CEO chinês
De acordo com um documento consultado pela Reuters uma decisão do tribunal comercial de Amesterdão, de 7 de outubro, revela que o tribunal decidiu suspender o CEO da Wingtech, Zhang Xuezheng, do seu cargo de diretor executivo da Nexperia depois de ter encontrado “razões bem fundamentadas para duvidar” que a empresa estivesse a adotar uma política de gestão ou ações corretas de acordo com a lei civil dos Países Baixos.
A Reuters adianta também que esta decisão do tribunal levou a que a Wingtech indica-se Guido Dierick para o cargo ocupado por Zhang Xuezheng, transferindo o controlo de quase todas as ações da Nexperia para um advogado dos Países Baixos responsável pela gestão. Esta decisão acabou por ter o apoio do Estado dos Países Baixos e do conselho laboral da empresa, salienta a agência noticiosa.