China confirma investigação à venda da plataforma de IA Manus à norte-americana Meta

O ministério do Comércio chinês indicou que vai "avaliar e investigar" o enquadramento legal da operação, que envolveu a mudança da sede da Manus para Singapura antes da sua venda ao grupo que detém o Facebook, Instagram e WhatsApp.

China confirma investigação à venda da plataforma de IA Manus à norte-americana Meta
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A China confirmou hoje que está a investigar a aquisição da plataforma chinesa de inteligência artificial Manus pela tecnológica norte-americana Meta, num negócio avaliado em dois mil milhões de dólares (cerca de 1,7 mil milhões de euros).

O ministério do Comércio chinês indicou que vai “avaliar e investigar” o enquadramento legal da operação, que envolveu a mudança da sede da Manus para Singapura antes da sua venda ao grupo que detém o Facebook, Instagram e WhatsApp, segundo declarou o porta-voz da tutela, He Yadong, citado por órgãos de comunicação locais.

O responsável sublinhou que a China “apoia consistentemente as operações transfronteiriças e a cooperação tecnológica internacional das empresas”, desde que realizadas “de acordo com as leis e regulamentos”.

“Empresas que realizem investimentos no exterior, exportem tecnologia, transfiram dados ou acordem fusões e aquisições devem cumprir a legislação chinesa e seguir os procedimentos legais”, acrescentou.

O jornal britânico Financial Times revelou que o negócio motivou um inquérito por parte das autoridades chinesas, num contexto em que Pequim tem apertado a vigilância sobre empresas que transferem operações para fora do país visando escapar ao escrutínio regulatório.

Cui Fan, professor da Universidade de Negócios Internacionais e Economia de Pequim, considerou nas redes sociais que a investigação deve apurar se os programadores da Manus desenvolveram tecnologia sujeita a controlo enquanto ainda estavam na China.

“Pensar que cortar laços com a China permite contornar os enquadramentos regulatórios da China e dos Estados Unidos é uma visão simplista”, apontou.

A operação surgiu após uma ronda de financiamento liderada pela norte-americana Benchmark, num cenário de crescentes restrições por parte de Washington ao investimento dos EUA em IA chinesa. A venda da Manus representou um caso raro de aquisição de uma empresa tecnológica chinesa por uma firma norte-americana, num ambiente de guerra comercial que opõe as duas potências desde 2018.

Segundo analistas, o Governo chinês utilizou mecanismos semelhantes de investigação para impedir a venda forçada do TikTok durante o primeiro mandato do Presidente norte-americano, Donald Trump.

Contudo, fontes próximas do processo indicaram que as autoridades não consideram o assistente de IA da Manus como uma “tecnologia vital”, o que poderá reduzir a probabilidade de bloqueio da operação.

A Manus ganhou notoriedade após o lançamento de uma versão preliminar do seu assistente de IA, acessível apenas por convite, que se destacou pela capacidade de realizar tarefas com menos instruções do que outros ‘chatbots’.

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