O CDS-PP criticou a demora na alteração dos limites de vento no Aeroporto da Madeira.
O líder parlamentar do CDS-PP, António Lopes da Fonseca, abordava a audição parlamentar do conselho de administração da Navegação Aérea de Portugal (NAV), na Assembleia da Madeira, onde foi dito que a “instalação dos novos equipamentos [para o Aeroporto da Madeira] será feita daqui a uns meses, provavelmente só em Maio de 2024 é que estarão instalados e, posteriormente, ainda será preciso um relatório de um ano para se poder calcular eventualmente a necessidade de se alterar os limites de vento ou não”.
O centrista acrescentou que “isto ainda vai depender da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), o que significa que só daqui a dois anos é que a ANAC se irá pronunciar sobre a eventual alteração dos limites de vento”.
Apesar disso Lopes da Fonseca salienta que o problema nem está na alteração dos limites de vento, mas sim destes serem obrigatórios, acrescentando que em Portugal este é o “único” Aeroporto em que os ventos são mandatórios.
O centrista considera que isto é inadmissível e sublinha que esses limites de vento foram calculados “há quase 60 anos, com aviões da Segunda Guerra Mundial, quando hoje temos aeronaves sofisticadíssimas, pilotos bem preparados e este aeroporto tem mais 1.181 metros”.
Lopes da Fonseca refere que nem a população da Região, nem as companhias aéreas, entendem que um Aeroporto “com todas estas condições tenha tamanhas restrições” causando tantos constrangimentos, pois “80% dos voos que são divergidos devem-se apenas ao facto de haver três nós acima dos limites que estão estabelecidos”.
O líder parlamentar do CDS-PP sublinha que se os limites de vento não fossem obrigatórios esses aviões provavelmente iriam aterrar no Aeroporto da Madeira, evitando os constrangimentos e os caos que existe no Aeroporto da Madeira quando existem condições climatéricas adversas.
“Isto é verdadeiramente um prejuízo para a Região, um prejuízo para quem viaja, um prejuízo para quem nos visita e um prejuízo para as próprias companhias aéreas, dando assim uma má imagem da Madeira quando a responsabilidade não é nossa! A responsabilidade é apenas de uma entidade que é um regulador, regulador esse que para nós é um resquício do Estado Novo”.
Lopes da Fonseca considerou que “as mentalidades de quem está à frente da ANAC são resquícios do Estado Novo, pois ainda consideram que as ilhas dos Açores e da Madeira são ilhas adjacentes e que dependem da boa vontade de quem estiver na ANAC”.
O centrista acrescentou que se trata de uma “questão ideológico-partidária e nós não podemos admitir isto porque estamos no século XXI”.