CCP discorda de medidas “impositivas” sobre horários no comércio sem mais debate

"Isso é um tema para ser abordado", admitiu João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, mas é necessário primeiro aprofundar o problema. Associação dos centros comerciais alerta que 18 mil postos de trabalho podem ser extintos com as reduções horárias.

CCP discorda de medidas “impositivas” sobre horários no comércio sem mais debate
David Paul Morris/Bloomberg

A CCP – Confederação do Comércio e Serviços de Portugal discorda de medidas legislativas e que impeçam os espaços comerciais de operarem ao domingo, alertando que não há informação nem debate suficiente sobre o assunto para tomar tal decisão. Em causa está uma petição para o encerramento do comércio aos domingos, feriados e às 22h nos dias de semana, algo que, alerta a associação que representa os centros comerciais, poderá acabar com 18 mil postos de trabalho.

A petição recolheu já o mínimo necessário de assinaturas para ser discutida no Parlamento, depois da iniciativa do CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, mas o timing não é o melhor, defende João Vieira Lopes, presidente da CCP, em declarações ao JE. Reconhecendo que a questão merece aprofundamento, o presidente da confederação alerta para a falta de debate sobre o mesmo.

“Isso é um tema para ser abordado, mas não tem sentido, na nossa opinião, aprovar uma lei impositiva sem o problema estar suficientemente aprofundado”, começou por defender, falando numa questão “que merece ser ponderada”.

“Portugal tem dos horários de comércio mais extensivos da Europa. Há problemas de falta de mão-de-obra e há inclusivamente novos hábitos por parte dos trabalhadores, nomeadamente os mais jovens – a seguir à pandemia, há uma grande resistência a trabalhar à noite e ao fim de semana”, admite. Ainda assim, “neste momento é prematuro pensar em qualquer legislação”.

“Toda a gente interessada terá de ponderar” sobre o tema, alerta Vieira Lopes, apontando às discórdias mesmo dentro do sector. A Associação de Lojistas dos Centros Comerciais havia já pedido o encerramento mais cedo, entre quinta-feira e domingo, dos espaços comerciais, precisamente pela dificuldade em contratar para estes horários, recorda o presidente da CCP, um espelho de que o tema tem gerado problemas no ramo.

A iniciativa da CESP, alerta fonte oficial da Associação Portuguesa de Centros Comerciais (APCC) ao JE, coloca em risco 18 mil postos de trabalho no sector do retalho, ou 20% da força laboral dos centros comerciais, ao limitar alguns dos dias mais importantes em termos de volume de negócios para estes espaços.

“O horário pós-laboral representa 37% e o fim-de-semana representa 36% das compras realizadas em centros comerciais”, relembra a associação, sendo que os fins-de-semana têm uma importância laboral acrescida no contexto de part-time, servindo como fonte de rendimento para, por exemplo, pessoas com dois trabalhos ou trabalhadores-estudantes.

Mais: por um lado, parte deste comércio continuará a acontecer, mas de forma eletrónica, o que significa menos receita fiscal para o país; por outro, o impacto far-se-á sentir “em toda a cadeia de valor, desde logo nas operações logísticas, que resultarão em desemprego” acrescido, prossegue a APCC.

A associação confessa, portanto, não perceber como é que a CESP, “afeta à CGTP, […] apresenta medidas que irão conduzir ao aumento do desemprego no sector”.

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