Margarida Osório de Amorim, Sócia de PLMJ

Casa onde há pão, todos ralham, mas quem terá razão?

Os dados quantitativos evidenciam o importantíssimo papel do turismo na economia nacional. E estes números vão, e devem, continuar a crescer, para bem de todos. Mas importa agora amenizar as normais dores de crescimento.

Os últimos anos têm sido pautados pela consecutiva (e sustentada) quebra de recordes na área do turismo. Ano após ano, o Portugal hospitaleiro supera-se: mais hóspedes, mais dormidas e mais portas abertas para recebermos os nossos turistas e todos aqueles que nos querem visitar. Mas agora, e ultimamente, também mais queixas: demasiados turistas, preços muito altos e cidades descaracterizadas e despovoadas de residentes.

Sem tomar partido nesta discussão entre gregos e troianos (ao jeito de uma Torre de Babel), centremo-nos em algo tão objetivo como os números. O peso do turismo na economia portuguesa aumentou 47% em 8 anos. Os turistas gastaram mais de 23 mil milhões de euros em Portugal, isto em 2016. O turismo representou, diretamente, cerca de 7% do PIB em 2017. 50% das exportações de serviços provêm do turismo. Prevê-se para 2018-2020 um total de 147 novos projetos turísticos.

Opiniões e sentimentos à parte, os dados quantitativos evidenciam (objetivamente) o importantíssimo papel do turismo na economia nacional – pela produção de riqueza e pelos postos de trabalho que gera. E estes números vão (e devem) continuar a crescer, para bem de todos; claro que, e inevitavelmente, importa agora amenizar as normais dores de crescimento.

Neste sentido, parece-nos pacífico concluir que alguns dos regimes jurídicos relacionados com o setor turístico carecem de ajustamentos – sendo recomendável clarificar (e enquadrar) novas realidades. Entendemos, porém, que estes ajustamentos não devem ser sinónimo de incremento de regulamentação, burocracia e asfixia, importando avaliar se alterações ao quadro legal, como, por exemplo, as respeitantes ao arrendamento e/ou ao alojamento local não terão consequências nefastas na confiança dos investidores. E, ainda, se, de facto, tais esforços minimizam as nossas dores de crescimento e respondem às queixas que tanta tinta têm feito correr.

Depois da tempestade que teve início em 2007/2008, agudizada em Portugal nos anos de 2010 a 2014, veio, inegavelmente, a bonança. Contudo, será uma ingenuidade tomar este bom momento por garantido. É essencial, por isso, ponderar com cautela os possíveis impactos das expectáveis alterações legislativas, para que assim possamos chegar a soluções do compromisso e de equilíbrio sustentado.

É essencial assegurar a convivência pacifica entre os turistas e residentes. É essencial continuarmos na boca do mundo pelas melhores razões. É essencial, assim, e impõe-se, um momento de reflexão.

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