A arquitetura é uma linguagem que se quer universal e regeneradora do espaço, seja ele público ou privado. No caso do projeto “River Somes”, a inaugurar no dia 17 de novembro nas Carpintarias de São Lázaro, em Lisboa, estamos perante um exemplo contemporâneo dos esforços de regeneração e renaturalização fluvial, que tem por objetivo interligar as diversas comunidades que habitam a cidade de Cluj-Napoca, na Roménia.
Mas não só. A ambição do projeto idealizado pelo estúdio internacional de arquitetura, urbanismo e design PRÁCTICA passa também por criar um diálogo entre as comunidades e as espécies de fauna e flora locais, que se encontravam muito afastadas do seu habitat natural nas margens do rio. A intervenção assumiu a forma de espaços públicos, praças, parques, pontes e espaços verdes ao longo de 15 quilómetros do rio Somes, ao longo do seu percurso através da cidade de Cluj-Napoca.
A proposta do PRÁCTICA visa colmatar o fosso existente entre o rio e a cidade criando um sistema de terraços que expandem a margem do rio, permitindo a sua penetração no tecido urbano. E na zona em que o rio alarga, serão construídas esplanadas entre a vegetação local, para tornar o rio mais acessível e incorporar áreas de lazer para fins múltiplos.
O projeto já está em construção e tem a sua conclusão prevista para 2023. Então se poderão perceber as soluções inovadoras e integradas desenvolvidas pelo estúdio, que prima por evitar “respostas predeterminadas” para as suas intervenções. Em sintonia com o espírito e mote da edição em curso da Trienal de Arquitectura de Lisboa: TERRA. Que pretende espelhar uma prática profissional que compreende e assimila as mudanças sociais e económicas, e que define como essencial para a sustentabilidade de um projeto o envolvimento da comunidade.
Através da arquitetura, uma equipa multidisciplinar une esforços para um novo quadro de interação que encontre novas respostas para o problema do crescimento urbano. Quando todos somos chamados a agir para construir lugares sustentáveis, então o diálogo entre quem projeta e quem ocupa o espaço no quotidiano deve ser aberto e inclusivo. É exatamente esse o exercício do PRÁCTICA em “River Somes”.
Entre 17 de novembro e 30 de dezembro, as Carpintarias de São Lázaro, em Lisboa, acolhem esta exposição, que é parte integrante dos “Projetos Independentes, a decorrerem em paralelo ao programa central da Trienal de Arquitectura de Lisboa 2022. A entrada é livre e pode ser vista de quinta-feira a domingo, das 12h00 às 18h00.