BPI com lucros de 133 milhões no primeiro trimestre a caírem 2%

O resultado líquido do Banco BPI totalizou 133 milhões no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma diminuição de 2%. A atividade em Portugal contribuiu com 90 milhões, uma diminuição de 8% justificada pela redução dos proveitos com juros decorrente do repricing do crédito com indexantes mais baixos face ao trimestre homólogo de 2025.

BPI com lucros de 133 milhões no primeiro trimestre a caírem 2%
O CEO do Banco Português de Investimento (BPI), João Pedro Oliveira e Costa, intervém durante a conferência de imprensa de divulgação dos resultados dos primeiros nove meses do banco no ano de 2025, em Lisboa, 31 de outubro de 2025. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O Banco BPI registou um resultado líquido de 133 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, representando uma diminuição de 2% face ao mesmo período do ano anterior. A atividade em Portugal contribuiu com 90 milhões de euros para este resultado, menos 8% em termos homólogos, refletindo sobretudo a redução dos proveitos com juros, influenciada pelo repricing do crédito num contexto de indexantes mais baixos.

Ainda assim, o banco manteve níveis de rentabilidade robustos, com a rentabilidade dos capitais próprios tangíveis recorrentes (ROTE) em Portugal a atingir 15,3% nos últimos 12 meses. As participações internacionais, no Banco de Fomento Angola (BFA) e no Banco Comercial e de Investimentos (BCI), contribuíram com um total de 43 milhões de euros.

O produto bancário ascendeu a 283 milhões no primeiro trimestre de 2026, o que corresponde a uma redução de 3% (em termos homólogos). A margem financeira diminuiu também 3% para 216 milhões, um resultado explicado pelo repricing do crédito com indexantes inferiores aos do período homólogo, que foi apenas parcialmente compensado pelo efeito volume positivo do crescimento do negócio.

Na variação trimestral, a margem financeira evidencia uma estabilização nos últimos trimestres e ainda não reflete o repricing decorrente da recente subida das taxas de juro do mercado. As comissões subiram 5% para 79 milhões de euros.

Os custos de estrutura recorrentes mantêm-se controlados, com um crescimento de 4%. O número de colaboradores do BPI aumentou para 4.544, representando um acréscimo de 269 profissionais face ao período homólogo.

O rácio de eficiência (cost-to-income) situou-se em 42% no acumulado dos últimos 12 meses.

“Ficámos também a saber recentemente que estamos na liderança [do crédito à habitação jovem com garantia estatal], juntamente com a maior instituição financeira portuguesa, que é a Caixa”

O presidente executivo do banco, João Pedro Oliveira e Costa, destacou a resiliência da instituição num contexto internacional mais exigente, sublinhando “o crescimento consistente do volume de negócios e a evolução positiva da atividade comercial”.

“Estamos a cumprir aquilo que era o plano estratégico, ou seja, os resultados que nós programávamos para 2026, acreditamos que o vamos cumprir, mas claro que a envolvente é mais difícil e mais desafiante.”, referiu o CEO do BPI.

Entre os principais indicadores, salientou-se o aumento de 11% no crédito à habitação, 13% no financiamento às PME e 18% nos fundos de investimento e seguros de capitalização.

A carteira de crédito total cresceu 8% em termos homólogos, equivalente a mais 2,4 mil milhões de euros, enquanto os recursos totais de clientes aumentaram 6%, ou 2,5 mil milhões de euros, com os depósitos a subirem 2% num ano para 32,2 mil milhões (caíram 1% face ao fim de dezembro). No segmento da habitação jovem, foram celebrados 6,6 mil contratos no valor de 1,3 mil milhões de euros com garantia pública, tendo o BPI reforçado a sua garantia em 250 milhões de euros. O crédito à habitação subiu 11% num ano e 2% este ano, fixando-se em 17,5 mil milhões de euros.

Sobre a garantia do Estado ao crédito à habitação a jovens até aos 35 anos, João Pedro Oliveira e Costa diz que “é uma medida útil” e que “vai ao encontro de uma forte procura de crédito à habitação, perante uma baixa oferta que faz com que os preços realmente tenham vindo a ajustar, o e que dificulta o acesso aos jovens à habitação, ao sonho de ter uma casa, de constituir família, de podermos todos progredir”.

“Até porque não há uma alternativa, não há mercado de arrendamento”, sublinhou.

“Ficamos muito contentes de podermos ser um banco que ajuda os jovens, que favorece a realização desse mesmo sonho e iremos continuar“, acrescenta.

O BPI pediu um reforço de 250 milhões de euros do crédito à habitação. Com um segundo reforço da quota, o BPI passou a ter a segunda maior do sistema, à frente do BCP e do Santander, e abaixo apenas do banco público, Caixa Geral de Depósitos. “Ficámos também a saber recentemente que estamos na liderança, juntamente com a maior instituição financeira portuguesa, que é a Caixa”, referiu o CEO na conferência de imprensa.

“Neste momento, em relação ao crédito jovem, não temos nenhum nível de preocupação, nenhuma diferença em relação à contratação normal de crédito de habitação noutros segmentos”

“Qualquer medida que venha a ser adotada ou venha a ser imposta, nós iremos obviamente adotá-la e cumpri-la com todo o rigor e respeitamos sempre o tema da supervisão, disse o CEO, quando questionado sobre eventuais medidas do Banco de Portugal para travar o crescimento do crédito à habitação. Como se sabe Álvaro Santos Pereira não é apologista do aumento da garantia do Estado porque consideram que aumenta o risco e admitiu criar medidas para mitigar o risco, como o aumento da taxa de stress usada na simulação da taxa de esforço.

 “Neste momento, em relação ao crédito jovem, não temos nenhum nível de preocupação, nenhuma diferença em relação à contratação normal de crédito de habitação noutros segmentos e, por isso, encaramos como positivo esta medida”, disse.

“No caso dos jovens, estamos a falar de créditos em média de cerca de 200 mil euros, por isso não estamos a falar  de valores astronómicos, tendo em conta o custo das casas, não estamos a falar de valores incomportáveis e há uma análise muito rigorosa de todos os mutuários na capacidade que têm de pagar esse mesmo crédito”, garantiu o CEO do BPI.

Sobre o crédito em geral, o CEO revelou que “estamos muito interessados em crescer e continuar a crescer, tudo faremos, temos vindo a fazer um forte investimento na melhoria dos processos internos, da rapidez de resposta, na proximidade aos nossos clientes”, referindo-se à Inteligência Artificial, à adoção de ferramentas mais avançadas “que possam proporcionar o melhor serviço aos nossos clientes e por isso todo este processo não pode esperar”.

Apesar do crescimento expressivo no volume de crédito, o rácio de Non-performing exposures (NPE) fixa-se em 1,3%, apresentando uma cobertura por imparidades e colaterais de 136%. No que diz respeito ao rácio de Non-performing loans (NPL), este situa-se nos 1,6%, com uma cobertura de 143%. O BPI reportou um valor de imóveis obtidos por recuperação de créditos de 600 mil euros no trimestre (valor balanço líquido).

No primeiro trimestre de 2026, as imparidades de crédito líquidas de recuperações totalizaram 23 milhões de euros, o que representa uma descida de 4% face ao período homólogo, mantendo o custo do risco de crédito em níveis baixos, nos 0,07% da carteira de crédito nos últimos 12 meses.

“Mantemos esta almofada [de 70 milhões], até agora não foi preciso utilizá-la de forma significativa, utilizámos uma parte do que já tivemos, que era acima de 100 milhões de euros, mas agora mantemos este valor, utilizaremos quando for oportuno”

O CEO do BPI destacou o saldo de imparidades não alocadas de 70 milhões de euros, que permite usar caso seja preciso no futuro, “pelos tempos que vêm pela frente”. O CFO do BPI explicou que as provisões não alocadas servem para “cobrir cenários de incerteza”, neste momento o board do BPI não antevê nesta altura que seja preciso usar essa almofada nos próximos trimestres.

“Mantemos esta almofada [de 70 milhões], até agora não foi preciso utilizá-la de forma significativa, utilizámos uma parte do que já tivemos, que era acima de 100 milhões de euros, mas agora mantemos este valor, utilizaremos quando for oportuno”, sublinhou o CEO.

Em termos de risco geopolítico, o CEO, João Pedro Oliveira e Costa, alertou que se as taxas de juro subirem, o consumo cai, o que impacta as empresas e por isso acabará por afectar  o emprego.

“Se as empresas tiverem menos capacidade de crescer, claro que para nós será mais difícil também. Nós estamos muito ligados à economia portuguesa e ao crescimento da economia portuguesa. E senão crescer, não vamos conseguir também nós mesmos crescer”, admitiu.

“O impacto que nós assistimos até agora foi o impacto dos custos da energia, que é o impacto, vamos chamar assim, primário, é o primeiro impacto da inflação. Se nós descontarmos, a subida dos preços de energia, a inflação ainda subiu pouco, felizmente. O problema tem a ver com o tempo que pode subsistir este problema, e não é só o tema daquela região, não é só o tema da energia, é que por ali passa 20% do comércio internacional”, alertou o CEO.

Em termos de solvabilidade, o banco detém uma folga de capital confortável face aos requisitos mínimos exigidos pelo Banco Central Europeu. No final de março de 2026, o BPI reportou um rácio CET1 de 13,8%, um Tier 1 de 15,1% e um rácio de capital total de 17,1%, enquanto o rácio de alavancagem (leverage) se fixou em 7,2%. O Buffer MDA, que representa a folga de capital sem limitações à distribuição de resultados, ascende a 2,6 pontos percentuais. Adicionalmente, a instituição cumpre os rácios de MREL, com 28,3% em percentagem dos ativos ponderados pelo risco (RWA) — superando o requisito de 26,65% — e 13,6% em percentagem da exposição total (LRE), face ao requisito exigido de 5,91%.

No plano interno, o banco aposta na qualificação dos seus recursos humanos, com o lançamento do programa “AI Dive”, que prevê formação em Inteligência Artificial para os cerca de 4.500 colaboradores. O número total de trabalhadores subiu para 4.544, mais 269 face ao ano anterior, sendo também notório o aumento do peso de jovens no quadro, de 6% em 2021 para 16% em 2026.

O banco destacou ainda o seu papel no apoio às populações afetadas por fenómenos climáticos adversos, tendo disponibilizado mais de 300 milhões de euros para famílias, empresas e comunidades impactadas por tempestades recentes. “O BPI apoiou com mais de 300 milhões as famílias, empresas e comunidade afetadas pela tempestades”.

Paralelamente, promoveu ações de solidariedade, incluindo o contacto com 1.500 instituições sociais no âmbito da sua Iniciativa Social Descentralizada, financiada pela Fundação la Caixa.

Para 2026, a Fundação “la Caixa” prevê reforçar o investimento em Portugal para 56 milhões de euros, consolidando o seu papel no apoio a projetos sociais no país.

(atualizada)

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