O BPI estima uma queda de mais de 10% na nova produção de crédito à habitação com as novas medidas macroprudenciais do Banco de Portugal que entram em vigor este sábado dia 1 de agosto.
É uma estimativa de “mais de 10%” para toda a nova produção de crédito à habitação — própria permanente e não permanente —, já que a medida macroprudencial se aplica às duas tipologias, explicou o administrador Francisco Matos. Anteriormente, a taxa de esforço máxima (DSTI) era de 50%, com possibilidade de exceção até 15%; a nova regra fixa a taxa de esforço máxima em 45%, com um máximo de exceções de 10%. “Em 2025, apenas 6% dos casos recorreram à exceção dos 50% definida pelo Banco de Portugal. Há ainda uma alteração adicional: a maturidade máxima dos créditos passou de 37 para 40 anos. Assumindo tudo o resto constante, a estimativa aponta para uma quebra de produção de cerca de 10%, mas o mercado é dinâmico e poderá compensar parcialmente esse efeito através de maturidades mais longas, entradas iniciais mais elevadas ou outras soluções”, disse o administrador.
“Quanto ao impacto da medida macroprudencial, ainda não o vemos em concreto porque a medida não entrou em vigor. Estimamos, contudo, um impacto relevante. Vi que o presidente do BCP falou em 5%; no caso do BPI, que tem estado muito presente no crédito jovem, acredito que o impacto na contratação ultrapassará os 10%, podendo ser ligeiramente superior”, disse , por sua vez, o CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa.
O banqueiro acrescentou que “compreendo que o supervisor, perante a subida dos preços da habitação e o peso do crédito habitação nos balanços dos bancos, opte por reforçar a prudência. Sinceramente, não seria a minha prioridade, mas vamos cumpri-la sem qualquer desacordo de fundo. Não acredito que a medida reduza o malparado, nem que altere significativamente os balanços dos bancos; estimamos, contudo, uma quebra de mais de 10% na contratação de crédito habitação”.
João Pedro Oliveira e Costa ressalvou que “não vou comentar as posições do supervisor português nem do governador sobre o tema do crédito à habitação — já o disse várias vezes. Não antevejo, no curto nem no médio prazo, qualquer problema com o crédito à habitação em si. O verdadeiro problema é a habitação: não há casas suficientes para comprar, e é por isso que os volumes de contratação assentam sobretudo em casas que mudam de mãos várias vezes. Fala-se de cerca de 30 mil novos fogos construídos por ano; seriam necessários entre 80 mil e 100 mil por ano, nos próximos 5 a 6 anos, para equilibrar minimamente o mercado”.
O BPI já usou 52,9% da sua quota de mais de 450 milhões de euros na garantia do Estado ao crédito à habitação própria e permanente para jovens até aos 35 anos, contratou 8 mil empréstimos ao abrigo do regime que está no terreno desde o início de 2025. , sendo que no total, estes créditos valem 1,6 mil milhões de euros.
“Aposto que a garantia do Estado dificilmente será acionada de forma significativa — talvez 1% ou 2%, no máximo —, embora seja apenas uma expetativa pessoal”, referiu.
CEO do BPI diz que é preciso construir mais casas e não inventar mais medidas
O presidente executivo do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, defendeu esta sexta-feira que o aumento da construção de habitação é a única solução capaz de estabilizar os preços das casas em Portugal, apelando a que deixem de ser criadas novas medidas para resolver o problema.