BPI estima queda de mais de 10% na nova produção de crédito à habitação e CEO volta a apelar à construção de mais casas

O CEO revelou que o BPI tinha concedido, até ao final de junho, cerca de 1.600 milhões de euros em crédito à habitação a jovens até aos 35 anos ao abrigo da garantia pública, num total de aproximadamente 8.000 contratos. "Não acredito em nenhuma medida que consiga estabilizar os preços da habitação sem haver mais construção. Não inventem mais medidas, por favor", disse.

BPI estima queda de mais de 10% na nova produção de crédito à habitação e CEO volta a apelar à construção de mais casas
O CEO do Banco Português de Investimento (BPI), João Pedro Oliveira e Costa, intervém durante a conferência de imprensa de divulgação dos resultados dos primeiros nove meses do banco no ano de 2025, em Lisboa, 31 de outubro de 2025. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O BPI estima uma queda de mais de 10% na nova produção de crédito à habitação com as novas medidas macroprudenciais do Banco de Portugal que entram em vigor este sábado dia 1 de agosto.

É uma estimativa de “mais de 10%” para toda a nova produção de crédito à habitação — própria permanente e não permanente —, já que a medida macroprudencial se aplica às duas tipologias, explicou o administrador Francisco Matos. Anteriormente, a taxa de esforço máxima (DSTI) era de 50%, com possibilidade de exceção até 15%; a nova regra fixa a taxa de esforço máxima em 45%, com um máximo de exceções de 10%. “Em 2025, apenas 6% dos casos recorreram à exceção dos 50% definida pelo Banco de Portugal. Há ainda uma alteração adicional: a maturidade máxima dos créditos passou de 37 para 40 anos. Assumindo tudo o resto constante, a estimativa aponta para uma quebra de produção de cerca de 10%, mas o mercado é dinâmico e poderá compensar parcialmente esse efeito através de maturidades mais longas, entradas iniciais mais elevadas ou outras soluções”, disse o administrador.

“Quanto ao impacto da medida macroprudencial, ainda não o vemos em concreto porque a medida não entrou em vigor. Estimamos, contudo, um impacto relevante. Vi que o presidente do BCP falou em 5%; no caso do BPI, que tem estado muito presente no crédito jovem, acredito que o impacto na contratação ultrapassará os 10%, podendo ser ligeiramente superior”, disse , por sua vez, o CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa.

O banqueiro acrescentou que “compreendo que o supervisor, perante a subida dos preços da habitação e o peso do crédito habitação nos balanços dos bancos, opte por reforçar a prudência. Sinceramente, não seria a minha prioridade, mas vamos cumpri-la sem qualquer desacordo de fundo. Não acredito que a medida reduza o malparado, nem que altere significativamente os balanços dos bancos; estimamos, contudo, uma quebra de mais de 10% na contratação de crédito habitação”.

João Pedro Oliveira e Costa ressalvou que “não vou comentar as posições do supervisor português nem do governador sobre o tema do crédito à habitação — já o disse várias vezes. Não antevejo, no curto nem no médio prazo, qualquer problema com o crédito à habitação em si. O verdadeiro problema é a habitação: não há casas suficientes para comprar, e é por isso que os volumes de contratação assentam sobretudo em casas que mudam de mãos várias vezes. Fala-se de cerca de 30 mil novos fogos construídos por ano; seriam necessários entre 80 mil e 100 mil por ano, nos próximos 5 a 6 anos, para equilibrar minimamente o mercado”.

O BPI já usou 52,9% da sua quota de mais de 450 milhões de euros na garantia do Estado ao crédito à habitação própria e permanente para jovens até aos 35 anos, contratou 8 mil empréstimos ao abrigo do regime que está no terreno desde o início de 2025. , sendo que no total, estes créditos valem 1,6 mil milhões de euros.

“Aposto que a garantia do Estado dificilmente será acionada de forma significativa — talvez 1% ou 2%, no máximo —, embora seja apenas uma expetativa pessoal”, referiu.

CEO do BPI diz que é preciso construir mais casas e não inventar mais medidas

O presidente executivo do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, defendeu esta sexta-feira que o aumento da construção de habitação é a única solução capaz de estabilizar os preços das casas em Portugal, apelando a que deixem de ser criadas novas medidas para resolver o problema.

“Não acredito em nenhuma medida que consiga estabilizar os preços da habitação sem haver mais construção. Não inventem mais medidas, por favor. A única solução passa por encontrarmos uma forma de construir muito mais habitação”, afirmou, durante a apresentação dos resultados do primeiro semestre do BPI, em Lisboa.

“A lei da oferta e da procura funciona sempre. Este é, para mim, um tema estratégico: a principal razão da emigração dos jovens portugueses é o preço da habitação, não a falta de emprego, porque os salários estão completamente desproporcionais em relação ao preço médio das casas. Ter habitação disponível é tão estratégico como ter defesa, saúde ou segurança. Portugal tem capacidade — fileira de construção, materiais, financiamento bancário e via Banco de Fomento — para acelerar a oferta; falta sobretudo passar da discussão à concretização”, disse sublinhando a necessidade “falar menos, fazer mais”.

Segundo o gestor, o mercado continua a registar transações de imóveis, mas entram poucas casas novas em oferta, pelo que reforçar a construção é “fundamental” e “estratégico” para aumentar a oferta e aliviar a pressão sobre os preços. “A lei da oferta e da procura funciona sempre”, sustentou.

As declarações surgiram depois de comentar as novas orientações do Banco de Portugal para a concessão de crédito à habitação, que entram em vigor no sábado e estabelecem como regra que a taxa de esforço global dos clientes não deverá ultrapassar 45% do rendimento.

Oliveira e Costa considerou que o crédito à habitação não representa um problema e afirmou não prever dificuldades nesta área no curto ou médio prazo. Na sua perspetiva, a principal questão é a escassez de casas disponíveis no mercado.

O responsável voltou a defender que só um aumento significativo da construção permitirá controlar os preços da habitação, estimando que Portugal precisaria de construir entre 80 mil e 100 mil fogos por ano durante os próximos cinco ou seis anos para equilibrar minimamente o mercado.

O gestor acrescentou ainda que o país precisa de criar condições para reter os jovens, defendendo que o elevado custo da habitação, mais do que a falta de emprego, é o principal motivo da emigração.

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