Biosensor para esclerose múltipla e biofertilizador de casca de batata vencem prémios Amyris

O concurso junta a empresa Amyris Inc e Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica e tem como objetivo premiar os melhores projetos e promover a inovação na área da biotecnologia.

Biosensor para esclerose múltipla e biofertilizador de casca de batata vencem prémios Amyris
Reuters

Os vencedores da 2ª edição do concurso de Inovação em Biotecnologia Amyris Innovation BIG Impact são: o projeto BrainSense, um biosensor para diagnóstico de esclerose múltipla e o projeto HydroPLUS, um biofertilizador à base de casca de batata.

“Os dois projetos foram distinguidos por desenvolverem ideias deeptech no sector dos biosensores para diagnóstico da doença de esclerose múltipla e de biofertilizadores para o sector da agricultura,” salienta Hugo Choupina, da Católica Porto Alumni Biotecnologia, membro da organização do FIB 2022.

Ana Leite Oliveira, investigadora da Escola Superior de Biotecnologia e membro da organização, complementa: “estamos na era da inovação biológica que terá necessariamente de passar por uma cada vez maior sensibilidade e responsabilidade naquilo que é sustentabilidade económica, tecnológica e principalmente societal”.

BrainSense, coordenado por Inês Mendes Pinto, investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) venceu na categoria “BIG Impact Innovation Award”.  O projeto tem como objetivo desenvolver “a deteção multiplexada de um painel de biomarcadores moleculares relevantes para a doença de esclerose múltipla, a partir de uma coleta de sangue ou saliva através de uma picada de dedo”. Esta análise subsequente por meio de um algoritmo de risco orientado por Inteligência Artificial, permitirá a sociedade e o serviço nacional de saúde reduzir os custos da deteção da doença.

Segundo Inês Mendes Pinto, “o Amyris BIG Impact Award representa a oportunidade de avançar com a tecnologia BrainSense para validação clínica para diagnóstico personalizado e monitorização de doenças neurodegenerativas, principalmente esclerose múltipla, que atualmente é alcançada através de métodos convencionais invasivos”. Validação clínica, acrescenta, significa transpor a tecnologia para o arquivo regulamentar in vitro do dispositivo de diagnóstico e uma maior disponibilidade do mercado.

HydroPLUS, com coordenação de Helena Moreira, investigadora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, venceu na categoria “Rising Innovation Award”. O objetivo do projeto é desenvolver um novo hidrogel biodegradável superabsorvente à base de casca de batata, um resíduo relevante da indústria alimentar que engloba microrganismos benéficos, nomeadamente bactérias promotoras de crescimento de plantas e fungos. O polímero à base de casca de batata servirá como um transportador eficaz e protetor para os microrganismos, prolongando a vida do produto, que por sua vez, irá favorecer a libertação lenta no solo.

“O HydroPLUS atende às necessidades do novo paradigma da agricultura regenerativa e pretende melhorar o crescimento das culturas, preenchendo atualmente uma lacuna comercial no mercado de biofertilizantes,” explica Helena Moreira.

“Este prémio ajudar-nos-á a desenvolver a nossa ideia e a colocá-la em prática. É também um reconhecimento de todo o trabalho que fizemos nos últimos anos focado nos sistemas agrícolas mais resilientes e sustentáveis. O HydroPLUS irá ajudar os agricultores a enfrentar os desafios do setor agrícola devido às mudanças climáticas, nomeadamente a escassez de água e o declínio da fertilidade do solo”, acrescenta a investigadora.

Por seu turno, Anabela Veiga, da Católica Porto Alumni Biotecnologia reconhece que “esta edição do Amyris Big Impact Award 2022, reforçou a importância de acelerarmos a bio-inovação através de uma abordagem disruptiva no setor biotecnológico”, acrescentando “estamos já a preparar a edição de 2023 que se realizará a 11 de novembro de 2023”.

O concurso “Amyris Innovation BIG Impact Award” é promovido pela empresa Amyris Inc e a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica e vai na segunda edição. Tem como objetivo premiar os melhores projetos na área da biotecnologia e promover a inovação em biotecnologia como motor fundamental do desenvolvimento económico. Visa ainda promover novos processos, tecnologias ou serviços que sejam, simultaneamente, comercializáveis e sustentáveis, com um grande impacto positivo e mensurável na sociedade.

 

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