O Banco Central Europeu decidiu manter as taxas de juro diretoras inalteradas na reunião de julho, interrompendo a subida de junho, que tinha sido o primeiro aumento desde 2023. A taxa aplicável aos depósitos permanece nos 2,25%. A instituição justifica a pausa com a necessidade de reunir mais dados antes de voltar a mexer na política monetária, num contexto de inflação ainda pressionada pela escalada de tensões no Médio Oriente e pela volatilidade dos preços da energia.
Para Portugal, onde grande parte dos créditos à habitação está indexada à EURIBOR, seja em contratos a taxa variável, seja na fase variável dos contratos a taxa mista, a decisão tem um efeito concreto: em vez de mais um agravamento, as prestações ganham uma pausa. Como a EURIBOR a seis meses é hoje a referência dominante nos novos contratos, a estabilização da taxa tende a refletir-se nas próximas revisões, travando a escalada que se vinha a sentir.
Ainda assim, convém ler a pausa pelo que ela é. O BCE não baixou os juros, apenas parou de os subir, e deixou claro que as próximas decisões serão tomadas reunião a reunião, em função dos dados. Vários analistas admitem mesmo que setembro possa trazer novo aumento, caso a inflação não ceda. Por outras palavras, é um alívio, mas um alívio condicional.
Para as famílias, esta travagem abre uma janela útil. Segundo os dados da Análise de Mercado de Crédito Habitação do ComparaJá, mantém-se elevada a procura por transferências de crédito, à medida que os mutuários aproveitam para rever condições e reduzir o custo do empréstimo. Um período de taxas estáveis é, precisamente, um bom momento para comparar propostas sem a pressão de uma prestação a subir todos os meses.
A trajetória futura continuará dependente das próximas leituras de inflação e das decisões seguintes do banco central. Até lá, a mensagem para quem tem crédito mantém-se: conhecer o próprio contrato e comparar alternativas é o que está ao alcance de cada família.