Apesar de fechar o último trimestre com uma subida de 30% nas vendas de imóveis, a Hipoges, empresa gestora de ativos imobiliários mostra-se preocupada com a falta de stock e habitação no país. Em entrevista ao JE, Luís Filipe Silveira, diretor de Real Estate do grupo, aborda a incógnita sobre as taxas de juro e o impacto que podem trazer para o mercado, bem como a forma como o investidor estrangeiro olha para Portugal.
Que balanço faz do primeiro semestre?
Terminamos o segundo semestre de 2023 com alguma apreensão sobre as subidas de taxas de juro, os fatores macroeconómicos, a instabilidade política, tudo isso veio baixar um pouco a expetativa do que seria 2024. As novas leis que beneficiam os jovens até 35 anos também vieram travar na perspetiva do mercado, porque as pessoas ficaram na expetativa de poderem beneficiar de algumas situações bonificadas conforme aconteceu no passado. O mercado demonstrou não só crescimento no valor dos imóveis, não com os crescimentos anteriores, porque os imóveis de facto já têm um valor elevado, mas continuou a haver crescimento no preço. Verificou-se o aumento nas vendas do produto em si de 30% e alguns fatores específicos, como o exemplo dos terrenos, onde houve uma aceleração nas vendas em 50%.
O que levou a esses aumentos?
Várias razões. A falta de habitação e de stock também faz com que não só investidores, mas também particulares, comecem a olhar na perspetiva de autoconstrução, a arranjar soluções próprias sem terem de esperar o desenvolvimento e construção dos produtores ou investidores.
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