Azerbaijão mantém fronteiras fechadas e isso está a ser bom para a economia

Segundo a OMC, a fase pandémica do Covid-19 acabou, mas naquele país do Cáucaso a notícia não surtiu qualquer efeito. As fronteiras permanecem fechadas e as vantagens económicas daí decorrentes são uma surpresa.

Azerbaijão mantém fronteiras fechadas e isso está a ser bom para a economia
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A maioria dos países apressou-se a abrir portas mal a pandemia deu mostras de recuo e a azáfama nos aeroportos regressou como se nada tivesse sucedido. Mas, lá para os lados da Ásia profunda, o Azerbaijão decidiu fazer o contrário: manteve as restrições, o país continuou fechado aos que o querem visitar e… está a impulsionar as suas finanças públicas, como constatou uma reportagem citada pelo espanhol “El Economista”.

Apesar da interrupção da economia, a decisão (de junho) de manter o país fechado por mais três meses estancou o vazamento de divisas num momento em que a produção de petróleo do Azerbaijão se aproxima do seu nível mais baixo desde 2007.

O isolamento face aos seus vizinhos, incluindo Rússia e o Irão, é a mais recente medida de segurança imposta pelo Azerbaijão. “As fronteiras terrestres são as principais portas de saída dos dólares”, disse à Bloomberg Samir Aliyev, analista do Centro de Apoio a Iniciativas Económicas de Baku.

O Azerbaijão é um dos poucos países a manter restrições rígidas de viagem dois meses depois que a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciar que a fase pandémica da Covid-19 terminou. E mais de três anos após o encerramento das fronteiras, as contas públicas do Azerbaijão nunca foram tão boas.

O fundo soberano que administra as receitas de petróleo e gás natural do país viu os seus ativos subirem para um recorde histórico de mais de 53 mil milhões de dólares em março passado; e as reservas do banco central aumentaram 25% em relação ao ano passado, à medida que a procura dos credores por dólares secou. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a dívida pública bruta face ao PIB registou no ano passado a sua maior redução em décadas.

O Azerbaijão também beneficiou do aumento dos preços do petróleo – e de não ter ‘cortado’ a Rússia da sua lista de clientes – e está a emergir cada vez mais como um grande fornecedor de gás natural à Europa, à medida que esta procura alternativas à Rússia. Há um ano, a União Europeia chegou a um acordo para duplicar as importações de gás natural do Azerbaijão – com a Turquia a servir de mediador, de impulsionador e de supervisor.

Viajar de e para o Azerbaijão – um país de pouco mais de 10 milhões de habitantes – só é possível por via aérea, uma proposta cara. O fecho das fronteiras terrestres está a limitar drasticamente as viagens internacionais dos azerbaijanos – com as saídas de autóctones a descerem 73% face a 2019. O valor gasto no exterior caiu quase para metade em 2022 em relação a esse ano de referência.

O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, disse que a sua intenção ao manter as fronteiras fechadas é proteger os cidadãos da infeção (que já matou mais de dez mil pessoas), mas nem todos estão convencidos. Políticos e até parlamentares dos partidos no poder expressam dúvidas de que as restrições sejam uma resposta ao coronavírus. Até porque, até 7 de julho, o Azerbaijão havia relatado apenas oito casos ativos de Covid-19, declarando entre duas e três novas infeções diárias.

Embora o Azerbaijão não tenha aderido às sanções contra a Rússia e o transporte de mercadorias através das fronteiras terrestres continue normalmente, dificilmente conseguiu os ganhos inesperados dos seus vizinhos Geórgia e Arménia.

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