A empresa de inteligência artificial Anthropic recusa abrir ao departamento de Defesa norte-americano a sua ferramenta Claude. Ao mesmo tempo, Google e da OpenAI estão a ter pressões internas para que façam o mesmo com as suas plataformas de IA.
Recentemente, a Casa Branca abriu a porta ao uso de armas autónomas o que levantou dúvidas entre as empresas que desenvolvem sistemas de inteligência artificial com contratos assinados com o Pentágono, noticia o jornal “El País”. A Anthropic, criadora do chatbot Claude, foi a primeira a insurgir-se. E recusa que a sua tecnologia seja usada para matar.
A statement from Anthropic CEO, Dario Amodei, on our discussions with the Department of War.https://t.co/rM77LJejuk
— Anthropic (@AnthropicAI) February 26, 2026
O secretário de defesa norte-americano, Pete Hegseth deu um prazo até 27 de fevereiro para que seja concedido ao Pentágono o acesso total à ferramenta de IA Anthropic para uso militar. Caso tal não aconteça, ameaça cancelar os contratos já celebrados no valor de 200 milhões de dólares , além de classificar a empresa como um “risco para a cadeia de abastecimento”
O diretor-geral da Anthropic, Dario Amodei, respondeu ontem, quinta-feira, que a empresa “não pode, de boa fé, aceitar o pedido”, uma vez que permitir o uso da sua tecnologia para desenvolver armas autónomas ou realizar vigilância em massa seria “incompatível com os valores democráticos”.
“Acredito firmemente na importância existencial de utilizar a IA para defender os EUA e outras democracias, bem como para derrotar os nossos inimigos autocráticos”, afirma Amodei em comunicado. “O departamento de Defesa ameaçou retirar a nossa tecnologia dos seus sistemas caso mantenhamos as nossas salvaguardas. (…) Estas ameaças não alteram a nossa posição”, conclui o empresário.
A resposta de Dario Amodei não passou despercebida em Silicon Valley e no mesmo dia em que foi tornada pública, uma centena de trabalhadores da Google que trabalham no desenvolvimento de IA assinaram uma carta dirigida a Jeff Dean, o diretor científico da Google DeepMind, a divisão de IA da empresa, na qual expressam a sua preocupação com os planos da Google de colaborar com o Pentágono.