Antrophic recusa que Casa Branca use chatbot de IA Claude para fins militares

"O departamento de Defesa [dos EUA]ameaçou retirar a nossa tecnologia dos seus sistemas caso mantenhamos as nossas salvaguardas. (...) Estas ameaças não alteram a nossa posição", disse o diretor-geral da Anthropic, Dario Amodei.

Antrophic recusa que Casa Branca use chatbot de IA Claude para fins militares
Anthropic logo is seen in this illustration taken May 20, 2024. REUTERS/Dado Ruvic

A empresa de inteligência artificial Anthropic recusa abrir ao departamento de Defesa  norte-americano a sua ferramenta Claude. Ao mesmo tempo, Google e da OpenAI estão a ter pressões internas para que façam o mesmo com as suas plataformas de IA. 

Recentemente, a Casa Branca abriu a porta ao uso de armas autónomas o que levantou dúvidas entre as empresas que desenvolvem sistemas de inteligência artificial com contratos assinados com o Pentágono, noticia o jornal “El País”. A Anthropic, criadora do chatbot Claude, foi a primeira a insurgir-se. E recusa que a sua tecnologia seja usada para matar. 

 

O secretário de defesa norte-americano, Pete Hegseth deu um prazo até 27 de fevereiro para que seja concedido ao Pentágono o acesso total à ferramenta de IA Anthropic para uso militar. Caso tal não aconteça, ameaça cancelar os contratos já celebrados no valor de 200 milhões de dólares , além de classificar a empresa como um “risco para a cadeia de abastecimento” 

O diretor-geral da Anthropic, Dario Amodei, respondeu ontem, quinta-feira, que a empresa “não pode, de boa fé, aceitar o pedido”, uma vez que permitir o uso da sua tecnologia para desenvolver armas autónomas ou realizar vigilância em massa seria “incompatível com os valores democráticos”.

“Acredito firmemente na importância existencial de utilizar a IA para defender os EUA e outras democracias, bem como para derrotar os nossos inimigos autocráticos”, afirma Amodei em comunicado. “O departamento de Defesa ameaçou retirar a nossa tecnologia dos seus sistemas caso mantenhamos as nossas salvaguardas. (…) Estas ameaças não alteram a nossa posição”, conclui o empresário.

A resposta de Dario Amodei não passou despercebida em Silicon Valley e no mesmo dia em que foi tornada pública, uma centena de trabalhadores da Google que trabalham no desenvolvimento de IA assinaram uma carta dirigida a Jeff Dean, o diretor científico da Google DeepMind, a divisão de IA da empresa, na qual expressam a sua preocupação com os planos da Google de colaborar com o Pentágono.

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