António José Seguro aconselha “prudência” com gastos de 5% do PIB na área da defesa

“Eu aconselhava prudência. Primeiro é necessário ver se nós, com o mesmo nível de despesa, conseguimos fazer aquilo que nos propomos no âmbito da NATO ou da União Europeia e só depois passarmos para a situação seguinte, que é gastar mais”, afirmou António José Seguro aos jornalistas, em Guimarães, distrito de Braga, após um encontro com algumas dezenas de jovens num jardim da cidade.

António José Seguro aconselha “prudência” com gastos de 5% do PIB na área da defesa
Manuel de Almeida/LUSA

O candidato à Presidência da República António José Seguro aconselhou “prudência” face aos 5% do Produto Interno Bruto (PIB) assumido por Portugal na NATO para gastos em Defesa, sublinhando que “o país também tem outras necessidades”.

“Eu aconselhava prudência. Primeiro é necessário ver se nós, com o mesmo nível de despesa, conseguimos fazer aquilo que nos propomos no âmbito da NATO ou da União Europeia e só depois passarmos para a situação seguinte, que é gastar mais”, afirmou no sábado António José Seguro aos jornalistas, em Guimarães, distrito de Braga, após um encontro com algumas dezenas de jovens num jardim da cidade.

Na quarta-feira, em Haia (Países Baixos), os 32 países da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) acordaram um aumento do investimento de 5% do PIB na área da defesa até 2035, com uma revisão dos objetivos em 2029.

“É essencial que antes de se gastar mais, se gaste melhor. E sobretudo, [que] se faça isso no seio da União Europeia e que se crie autonomia, designadamente ao nível tecnológico e estratégico na própria União Europeia. Nós precisamos de um bom sistema científico europeu, com benefícios nas áreas da defesa e da segurança, mas também com benefícios nas áreas da economia, da saúde ou do ambiente”, defendeu António José Seguro.

Segundo o candidato presidencial, “o nível de gastos tem de ser em consonância com os recursos e as necessidades” do país.

“O país não tem só necessidades nas áreas da defesa e da segurança. Também tem necessidades nas áreas da habitação, da saúde, da economia, tem de haver aqui um equilíbrio. Eu desconfio sempre muito quando se vai a correr de um momento para o outro para estas áreas da defesa e com um volume de recursos e de dinheiro muito elevado. Cinco por cento do nosso PIB é muito dinheiro”, frisou.

Na quinta-feira, no final da cimeira da NATO, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, comprometeu-se a atingir os 2% do PIB em defesa até ao final deste ano – o que, segundo as contas do Governo, obrigará a um reforço de investimento de cerca de mil milhões de euros.

Além desta meta, a cimeira da NATO acordou que os aliados devem investir 5% do PIB em despesas relacionadas com defesa, dos quais 3,5% em gastos militares tradicionais (Forças Armadas, equipamento e treino) e 1,5% adicionais em investimentos como infraestruturas e indústria até 2035, com uma revisão intercalar em 2029.

No dia seguinte, os líderes da União Europeia, reunidos em Bruxelas, comprometeram-se a financiar adequadamente o aumento dos gastos com defesa, coordenando tal investimento para o fazer “melhor em conjunto”, dada a nova meta da NATO acordada no dia anterior.

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