Angola tem de fazer parte da alternativa ao domínio da China nos minerais críticos

Mercado de minerais críticos é controlado pela China e o corredor do Lobito vai potenciar o escoamento destes minerais para o mercado global.

Angola tem de fazer parte da alternativa ao domínio da China nos minerais críticos
Victor Machado

Angola tem de fazer parte da alternativa ao domínio da China no controlo do mercado mundial de minerais críticos, defendeu hoje o advogado João Afonso Fialho.

O país está a desenvolver o corredor ferroviário do Lobito que percorre 1.300 km em Angola (contando com 400 km na República Democrática do Congo) até à cidade portuária do Lobito, por onde será escoado o cobre do Congo, um mineral essencial para a transição energética, e para todo o mundo.

O consórcio responsável pelo projeto (Mota-Engil, Trafigura e Vecturis) vai investir mais de 450 milhões de dólares para desenvolver a ferrovia e infraestruturas associados, incluindo mais de 1.500 vagões e 35 locomotivas (ver mapa do projeto abaixo).

“O sector mineiro tem os seus desafios próprios, com os diamantes a serem um caso aparte. Em termos de minerais, a grande discussão que tem sido feita é o desafio enorme em termos de financiamento. Os mercados de capitais não têm conseguido dar resposta às necessidades de investimento na exploração de minerais críticos”, afirmou hoje o advogado da sociedade Vieira de Almeida.

“Pela primeira vez no mundo, têm sido os Estados, organizações multilaterais e os fabricantes de veículos elétricos a fazerem investimentos diretos neste sector, que é 80% controlado pela China, com uma grande opacidade em termos de formação de preço. Não há visibilidade sobre esse mercado, é preciso que Angola faça parte do esforço de construção de uma supply chain alternativa”, acrescentou durante o  evento Doing Business Angola 2024, organizada pelo Jornal Económico, que teve lugar em Lisboa.

João Afonso Fialho destacou o “esforço incrível de dinamização do sector de minerais críticos” feito pelos EUA no seu programa de fomento IRA.

“É preciso reestruturar a economia angolana. Os projetos no corredor do Lobito são absolutamente críticos”, rematou.

Analisando o sector petrolífero, o advogado também defendeu “alterações legislativas que permitam uma gestão mais fácil da concessões petrolíferas durante a sua vida, para que haja maior flexibilidade na sua gestão”, em particular nos “campos maduros”. “A própria Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) admite que há mais a fazer”.

Corredor do Lobito (a vermelho)

Fonte: Trafigura

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