Administrações públicas encerram 2022 com défice de 0,4%

Ministério das Finanças revelou esta terça-feira a conta geral do Estado de 2022. As administrações públicas fecharam o ano passado com défice de 0,4% em contas nacionais e de 1,4% em contas públicas.

Administrações públicas encerram 2022 com défice de 0,4%
André Kosters/Lusa

O Ministério das Finanças revelou esta terça-feira que a recuperação económica permitiu às administrações públicas encerrarem o ano passado com um saldo orçamental de 0,4% do PIB em contabilidade nacional (-944,4 milhões de euros), naquilo que representa uma melhoria de 2,5 pontos percentuais face a 2021 e de 1,5 pontos percentuais face ao que estava estimado no OE2022.

Quanto à contabilidade pública, o saldo é de -1,4% do PIB, ou seja, -3.406,3 milhões de euros, uma melhoria de 2,6 pontos percentuais face a 2021.

Esta informação consta da Conta Geral do Estado de 2022, que foi submetida pelo Ministério das Finanças à Assembleia da República e ao Tribunal de Contas na segunda-feira.

Explica o Ministério liderado por Fernando Medina que “entre os fatores que concorreram para a melhoria das contas das administrações públicas no ano passado destacam-se a evolução mais favorável da receita fiscal; a dissipação das medidas de combate à pandemia Covid-19 e o aumento das contribuições sociais que decorre da robustez do mercado de trabalho e das
valorizações remuneratórias”.

No que diz respeito ao contexto do agravamento dos impactos do designado “choque geopolítico” que acabou por motivar a implementação em 2022 de pacotes de medidas de apoio às famílias e às empresas, estas ajudas ascenderam a 4.609 milhões de euros.

A estas ajudas superiores a 4,6 mil milhões de euros, explica o Ministério das Finanças que foram mantidos em 2022 apoios na ordem dos 3,3 mil milhões de euros, ainda referentes a “despesa com medidas no âmbito das exigências resultantes dos efeitos da
pandemia de Covid-19”.

“O maior dinamismo do mercado de trabalho influenciou positivamente a receita fiscal e contributiva e que ajudou a compensar as despesas adicionais que resultaram do choque geopolítico e do aumento dos preços. Tal permitiu que a execução orçamental ao longo do ano fosse mais favorável do que a previsão inscrita no Orçamento do Estado para 2022 (+1,5 p.p.). Em termos absolutos, este desvio positivo representou uma menor necessidade de financiamento na ordem dos 3,5 mil milhões de euros”, sublinha o Ministério liderado por Fernando Medina.

Quanto à dívida pública em percentagem do PIB, a mesma situou-se em 113,9%, naquilo que representou uma redução de 11,5 pontos percentuais do PIB em relação aos 125,4% do PIB registados no final do ano anterior. “A redução gradual e sustentada da dívida pública permite aliviar libertar recursos que assim ficam disponíveis para políticas públicas promotoras do crescimento. Ao mesmo tempo, a redução da dívida pública reforça o Estado Social, permitindo que, a cada momento, o Estado possa adotar tomar medidas que se revelem necessárias”, explica o Ministério.

“No que respeita aos pagamentos em atraso, o stock situou-se em 256 milhões de euros, representando uma redução de 94,6% face a 2011 e o valor mais baixo desde que há registo”, destaca ainda o Ministério das Finanças em comunicado.

Relacionado

Fisco tem 23 mil milhões de euros em impostos por cobrar

Fisco tem 23 mil milhões de euros em impostos por cobrar

Lígia Simões19 Mai
Mais de 60% dos 29.592 milhões de euros da dívida fiscal e não fiscal por cobrar é incobrável ou está suspensa, a aguardar uma decisão dos tribunais ou por causa de processos de insolvência, revela a Conta Geral do Estado (CGE) de 2025 AT. Só em impostos são 23 mil milhões que não entraram nos cofres do Estado no ano passado, mais 1.258 milhões face a 2024. Grande fatia de receitas por cobrar vem do IRS e do IVA.