“Não é o nosso core mas espero que a nossa decisão sirva de contágio”: Pedro Ó de Ramos, presidente do Conselho de Administração da APS (Porto de Sines), anunciou na conferência do JE “Impulso Local”, que teve lugar esta segunda-feira em Sines, que a APS vai construir 70 habitações.
Pedro Ó de Ramos realçou nesta conferência que o Porto de Sines “tem que continuar a ser uma âncora” e que “foi muito bem projetado e planeado”. “Ainda não estamos atrasados mas estamos no limite”, alerta este responsável.
“Percebemos que tínhamos falta de habitação e que tínhamos que construir, apesar de não ser o nosso core. É um investimento largo de 70 habitações cujo processo está em andamento. Espero que este nosso exemplo sirva de contágio para os investidores”, destacou.
O presidente do Conselho de Administração da APS explica a lógica da decisão de investimento: “Queremos dar esse exemplo, estamos a avançar na digitalização, descarbonização e precisamos de estar preparados para as alterações climáticas. Queremos tornar o porto mais resiliente e temos que encarar isso de frente no nosso plano de investimentos”.
“Sines tem tudo para correr bem. Só não tem tempo”
A convicção foi deixada por Jorge Catarino, Senior Partner do ateliê S+A, destacou que Sines tem um problema de licenciamento e “aqui vai ter que se licenciar um conjunto diferente de casas, permanentes e temporárias. Teremos que ter construção modulares, tal como aconteceu na Expo 98. Não é entendimento do Governo, mas isso vai ter que acontecer”.
E deixa o aviso: “Quando começarem a cair um número exageradamente alto de projeto, como é que a Câmara vai conseguir dar seguimento a tudo isso? Temos muito exemplos pelo país em que foram as empresas a implementar a construção de habitação. Não percebo porque é que se está sempre à espera do Estado. Para este arquiteto, Sines “tem tudo para correr bem, só não tem tempo”.
Aposta na descentralização energética
O projeto da T2G consiste na implementação de uma Estação Multifuel localizada na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS) e Bruno Duarte Moreira, CTO da T2G, explicou que a aposta passa sobretudo pela descentralização energética: “Acreditamos que devemos produzir o hidrogénio localmente, temos autocarros em Cascais movidos a hidrogénio com grande sucesso. Apostamos na produção local e com baterias localizadas para tirar a pressão na própria rede”.
“Descentralizar a produção é muito importante, queremos uma economia circular que possa beneficiar a população em geral. Podemos fazer cargas de carros em 7 minutos. Apostamos na logística e nos transportes públicos”, sublinhou o responsável.