Acordo UE/Mercosul é uma declaração de escolha do “comércio justo em vez de tarifas”

Em Assunção, capital do Paraguai, perante os representantes do bloco do Mercosul, Ursula von der Leyen enfatizou: “Isto é muito mais do que um acordo comercial”. O acordo demorou mais de 25 anos de negociações e cria a maior zona de livre-comércio do mundo, num momento de crescente protecionismo global.

Acordo UE/Mercosul é uma declaração de escolha do “comércio justo em vez de tarifas”
Ursula Von Der Leyen

A presidente da Comissão Europeia afirmou este sábado que o acordo comercial, prestes a ser assinado entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, é uma declaração ao mundo da escolha do “comércio justo em vez de tarifas”.

Em Assunção, capital do Paraguai, perante os representantes do bloco do Mercosul, Ursula von der Leyen enfatizou: “Isto é muito mais do que um acordo comercial”.

A responsável europeia enalteceu ainda o facto de os líderes presentes estarem, neste momento, a fazer “história”, após mais de 25 anos de negociações que, finalmente, cria “a maior zona de comércio livre do mundo, um mercado partilhado de 700 milhões de pessoas”.

“Estamos a criar a maior zona de livre comércio do mundo, um mercado que representa quase 20% do PIB global”, sublinhou.

“Reflete uma escolha clara e deliberada: escolhemos o comércio justo em vez das tarifas; escolhemos uma parceria de longo prazo em vez do isolamento e, acima de tudo, queremos oferecer benefícios reais e tangíveis às nossas sociedades e empresas”, disse Von der Leyen.

A chefe da Comissão Europeia destacou que o tratado criará “a maior zona de livre comércio do mundo”, com 720 milhões de pessoas e um peso económico de 22 biliões de dólares (19 biliões de euros).

“Este acordo eliminará tarifas e outras barreiras ao comércio, abrirá a contratação pública e proporcionará um quadro claro, baseado em normas, para incentivar o investimento e o intercâmbio comercial”, declarou perante centenas de convidados num auditório.

Por outro lado, sublinhou a importância geopolítica do acordo, numa altura em que os Estados Unidos iniciaram uma guerra tarifária contra o mundo e tornaram públicas as suas ambições expansionistas com a Gronelândia.

“Estamos a criar uma plataforma para trabalhar juntos numa ampla gama de questões globais, incluindo uma reforma das instituições internacionais (…). Uniremos forças como nunca antes”, afirmou Von der Leyen.

A cerimónia de assinatura do histórico acordo de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul começou hoje no Grande Teatro José Asunción Flores, em Assunção, no mesmo local onde, em 1991, foi criado o Mercosul.

O Presidente paraguaio, Santiago Peña, é o anfitrião do encontro, que também conta com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, além de outros quatro líderes latino-americanos: Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia) e José Raúl Mulino (Panamá).

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, é o principal ausente.

Depois dos discursos dos líderes, os responsáveis por assinar o acordo, negociado desde o ano 2000, serão os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e o comissário europeu de Comércio, Maroš Šefčovič.

O aguardado acordo demorou mais de 25 anos de negociações e cria a maior zona de livre-comércio do mundo, num momento de crescente protecionismo global.

O acordo permitirá eliminar tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores e que, juntos, representam um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 22 biliões de dólares (19 biliões de euros), segundo dados da Comissão Europeia.

Relacionado

Pão vai subir em outubro

Pão vai subir em outubro

Teresa Cotrim31 Ago
A guerra no Mar Negro, a seca na Europa e um aumento de 37% no preço internacional do trigo estão a criar a combinação perfeita para encarecer a alimentação em Portugal. "É expectável que haja ajustes no preço do pão a partir de outubro", avança ao JE Deborah Barbosa, presidente da ACIP. O pão deverá ser o primeiro produto a sentir a pressão, mas as repercussões podem chegar mais tarde às massas, à carne, ao leite e aos ovos.