Redação

A segurança empresarial

A atividade empresarial desenvolve-se atualmente num quadro de uma globalização competitiva e de uma envolvente de maior complexidade em que os fatores de risco se agravaram. A vontade e a necessidade de internacionalização conduzem as empresas a novos mercados não regulados ou de regulação difusa ou aparente, onde as vulnerabilidades das empresas são inflacionadas pelas novas ameaças existentes.
As formas de competição inerentes a um mercado globalizado, as práticas de concorrência desleal, a inexistência de quadros normativos de referência em muitos dos novos mercados, a espionagem económica ou as ameaças, mais comuns, de violência contra as pessoas e património das empresas, necessitam de uma resposta corporativa proporcional e preventiva que contribua para a diminuição do risco.
Nesse sentido, a implementação precoce, ou preventiva, de políticas de segurança empresarial e uma visão integrada dos serviços de segurança constitui uma obrigação da liderança empresarial para com os seus colaboradores, proporcionando-lhes a necessária proteção e tranquilidade para o exercício das suas funções. Acresce que, essa implementação precoce assume-se, também, como uma vantagem competitiva para a empresa, na medida em que é a melhor forma de garantir a proteção das pessoas e dos bens, tangíveis e intangíveis, em particular o seu capital intelectual, numa dupla perspetiva de diminuição das vulnerabilidades empresariais e caraterização e conhecimento das ameaças.
Por outro lado, uma inclusão preventiva das questões da segurança empresarial em qualquer plano de negócios permitirá uma elevada redução de custos e um considerável aumento de eficácia da resposta protetiva mas contribuirá, também, para confirmar o princípio de que a segurança empresarial não é um custo mas um investimento que se repercute diretamente, de forma positiva, nos resultados empresariais.
Esta abordagem à segurança empresarial, que se preconiza, coloca o seu enfoque numa perspetiva preventiva de segurança, suportada por processos de inteligência e análise de risco não financeiro, não só por ser esta a única forma de uma estratégia de segurança se coadunar com os objetivos gerais, económico e financeiros, de qualquer projeto empresarial mas, também, por esta a única forma de proceder de modo tecnicamente correto.
Claro que esta, com raras e bem-sucedidas exceções, não é a praxis generalizada no mercado nacional, nem do lado das empresas que necessitam desse serviço e, menos ainda, por parte da generalidade dos prestadores do mesmo.
A abordagem à segurança empresarial tem de ser feita de forma integrada. A noção correta de segurança integrada reflete uma abordagem de largo espectro à segurança empresarial e não, como habitualmente o termo é utilizado, ao uso conjugado de, apenas, dois ou três segmentos da segurança, normalmente a segurança física e eletrónica. Assim, uma atuação na ótica da integração preconiza a abordagem, em primeiro lugar, das questões da inteligência de segurança, da análise de risco, do planeamento estratégico e tático, das políticas e procedimentos de segurança e a conjugação de todos os vetores de segurança – física, eletrónica, informática, da informação, das pessoas, pessoal, etc. – que contribuam para a prossecução do fim pretendido, proteção eficiente das pessoas e dos bens que constituem a empresa.
A maior parte da oferta de serviços de segurança no mercado português padece do defeito da inexistência de verdadeira integração, forçando qualquer empresa que pretenda dotar-se dos serviços necessários a recorrer a uma miríade de fornecedores, que são normalmente segmentados, pouco especializados e orientados exclusivamente para o baixo preço.

 

Jorge Silva Carvalho
Consultor especialista em inteligência competitiva e estratégia

 

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