Podemos considerar ‘mina de ouro verde’ a atividade económica que contribua, de alguma forma, para a preservação ou a recuperação do ambiente, criando riqueza e emprego, os chamados ‘empregos verdes’.
Segundo a OIT – Organização Internacional do Trabalho, constituem ‘empregos verdes’ os postos de trabalho utilizadores de tecnologia aplicada na indústria, construção civil, fontes de energia renováveis, serviços, turismo e agricultura, em atividades consideradas ambientalmente sustentáveis.
Diametralmente opostas às outras ‘minas de ouro’, explorem o que explorarem, as minas de ouro verde usam e respeitam o ambiente, recurso que existe por todo o lado, é difuso, está acessível a todas as sociedades, em todos os locais e, se devidamente utilizado, poderá proporcionar um trabalho digno para todos, com maior eficiência na utilização de recursos e com baixas emissões de carbono.
Falamos, por exemplo, da energia solar, da energia eólica, da tecnologia da biomassa e da reciclagem de resíduos, entre outros. Áreas que abrangem ou tocam múltiplas profissões, desde as tradicionais, como a agricultura biológica, a engenharia civil ambiental, a sociologia e a psicologia do ambiente até à investigação para desenvolvimento das energias renováveis, só para referir algumas.
A Estratégia Europa 2020 da Comissão Europeia defende a criação uma economia hipocarbónica e eficiente em termos de recursos. Consequentemente, a UE estabeleceu como objetivos a redução das emissões de gases com efeito de estufa, o aumento da percentagem das fontes renováveis de energia na satisfação das necessidades energéticas da Europa e o aumento da eficiência energética. Os objetivos de aumento das energias renováveis e da eficiência energética em 20% (comparação com 1990), para além da poupança de recursos que acarretarão, deverão conduzir à criação de mais de um milhão de novos empregos na UE.
Recentemente, em Portugal, foi criado o “Compromisso Para O Crescimento Verde”, o QEPiC – Quadro Estratégico para a Política Climática, que reflete e detalha a estratégia europeia que atrás se refere. Falta ainda criar mecanismos quantificados de acompanhamento para estes instrumentos, cuja criação se saúda e constitui um inequívoco avanço para a sociedade portuguesa. O crescimento verde, nas suas múltiplas dimensões, incluindo a da criação de emprego, depende de muitos níveis, desde logo o nível local, pois deverá ser ao nível micro, da freguesia e do concelho, que se estabelecem, difundem e aprofundam novos valores, potenciando a criação de empregos verdes.
A implementação dos planos europeus e nacionais devem, pois, contemplar uma dimensão territorial local, numa estratégia que deve partir convergentemente de cima para baixo, e de baixo para cima, envolvendo todos os atores. O desenvolvimento só o é se for endógeno e implicar todas as pessoas e os seus valores. Por outro lado, estas políticas têm uma dimensão macro, de política central e transversal, pois implicam a concertação de incentivos económicos, formação, educação e até mesmo de informação para a população em geral.
Sublinhe-se a importância da Educação e Formação na difusão dos valores que estão na base do desenvolvimento sustentável e da criação de empregos verdes. O público em geral, os gestores de organizações da sociedade civil, de empresas, incluindo os responsáveis de topo, os dirigentes associativos, todos devem ser envolvidos nesta formação, pelas repercussões que trará nas suas organizações e mediatamente na sociedade portuguesa.
Estando nós em ano de eleições autárquicas não poderia deixar de referir que é muito relevante fazer ações de sensibilização e formação também para os autarcas, que começaram, entretanto, o seu mandato. Dessa forma, estaremos a contribuir para que as decisões ao nível local sejam as mais ajustadas para o objetivo global de termos um desenvolvimento sustentável e uma sociedade com uma nova relação com a natureza e mais qualidade de vida.