“Armanda Passos: Pintura a óleo em Retrospetiva”. Assim se chama a exposição que reúne em Lisboa o traço único de uma das mais conceituadas artistas portuguesas contemporâneas, que morreu no dia 19 de outubro de 2021, aos 77 anos. Uma iniciativa inédita que permitiu reunir 80 óleos de coleções públicas e privadas, e que “só agora, após o desaparecimento [da pintora], terão visibilidade pública, dando a conhecer o processo criativo, intenso e inventivo, daquela que foi uma autêntica artista […], uma poderosa criadora”, sublinha a fundação.
Armanda Passos foi uma artista que, a partir da sua arte, quis dar voz às mulheres e, ao longo da sua carreira, retratou a importância da mulher no mundo das artes. E também uma artista que colocou a figura humana no epicentro da sua pintura, e que nas peças expostas se apresentam, em muitos casos, em dípticos e trípticos, “que nascem uns dos outros em polípticos, formando painéis com metros e metros de corpos em anatomias de mãos e pés portentosos”, refere ainda a fundação.
“Armanda Passos: Pintura a óleo em Retrospetiva” tem curadoria de Fabíola Passos, filha da artista, e constitui uma oportunidade rara para conhecer de perto os meandros criativos de uma artista que sempre foi alheia a modas. Assim como para descobrir a génese desta exposição num texto intitulado “Uma imaginação poderosa”, assinado pela Catedrática Raquel Henriques da Silva, patente no livro de Armanda Passos que ali está exposto e que também reúne o testemunho de vários artistas e personalidades.
Um universo colorido habitado por seres incríveis
Nascida em Peso da Régua em 1944, Armanda Passos formou-se em Artes Plásticas pela ESBAP – onde foi monitora de Gravura e assistente de Ângelo de Sousa – e expôs regularmente desde 1976, tendo participado em diversas exposições individuais e coletivas e representado Portugal em bienais internacionais.
A sua obra, além de suscitar o interesse dos críticos da especialidade, também despertou grande interesse por parte de escritores de várias sensibilidades, artistas e até historiadores. Mário Cláudio, José Saramago, Vasco Graça Moura, Urbano Tavares Rodrigues, Eduardo Prado Coelho, António Alçada Baptista, David Mourão-Ferreira, José-Augusto Seabra, Lídia Raquel Henriques da Silva e José Augusto-França são algumas das figuras que se debruçaram sobre o seu trabalho.
Multipremiada em inúmeras ocasiões, a sua obra integra diversas coleções privadas e públicas, nomeadamente o Museu Nacional de Arte Contemporânea, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Champalimaud, o Museu de Serralves, o Museu do Oriente, o Museu Coleção Berardo, o Museu da FBAUP, o Museu Amadeo de Sousa-Cardozo, a Casa-Museu Teixeira Lopes, a Casa José Saramago, a Casa Fernando Pessoa, o Tesouro da Sé Catedral do Porto, o Palácio da Justiça do Porto e o Palácio de Belém. Atualmente, grande parte do seu trabalho artístico está exposto no Museu do Douro, no Peso da Régua, fruto de uma doação de 83 obras feita pela pintora.
“Armanda Passos: Pintura a óleo em Retrospetiva” tem entrada livre e pode ser vista no Centro de Exposições da Fundação Champalimaud, em Lisboa, de 16 de novembro até 31 de dezembro.