Contagem decrescente para a 20.ª edição do MOTELX, que este ano espalha terror por Lisboa durante 11 dias. Épico? Sem dúvida. Até porque não é todos os dias que há um número redondo para celebrar.
O Cinema São Jorge e a Cinemateca Portuguesa serão o Olimpo do MOTELX, de 3 a 13 de setembro. A abrir as hostilidades está a secção principal, Serviço de Quarto, com uma seleção de dez longas-metragens internacionais, entre elas Species, The Birthday Party, com Monica Bellucci, e One Spoon of Chocolate, de Robert “RZA” Diggs, dos Wu-Tang Clan, com produção de Quentin Tarantino. E mesmo sem Tarantino atrás da câmara, a fasquia da expectativa é elevada.
Antes de mergulharmos fundo na programação, duas novidades. Ou melhor, duas novas secções. Lost in Europe, focada no terror da Cortina de Ferro, e Falar sobre a Morte (Nunca Matou Ninguém), em parceria com o Goethe-Institut. No que toca ao cinema nacional, o fulgor mantém-se: em competição pelo Prémio MOTELX, no valor de cinco mil euros, estarão dez curtas-metragens. O festival vai ainda distinguir a cineasta luso-sueca Solveig Nordlund com o Prémio Noémia Delgado e fazer uma homenagem ao realizador José de Sá Caetano no Quarto Perdido.
Ao todo, a 20.ª edição do MOTELX apresentará mais de 170 filmes de mais de 40 países, ultrapassando as 145 sessões, que se dividem entre o São Jorge e a Cinemateca. A sessão de abertura, a 3 de setembro, contará com o filme Drag, protagonizado por Lizzy Caplan, com realização de Raviv Ullmann e Greg Yagolnitzer. A 13, encerra-se o festival com a antestreia portuguesa de Vertigem Mortal 2, da dupla australiana Peter e Michael Spierig.
Pelo meio, propostas como Histoires de la Nuit, da francesa Léa Mysius, com um elenco encabeçado por Hafsia Herzi, Benoît Magimel e Monica Bellucci. The Furious, do japonês Kenji Tanigaki – diz que é um thriller influenciado pelo cinema de acção de Hong Kong. Ou títulos como Sanguine, Body Horror, da francesa Marion le Coroller. AnyMart, de Yusuke Iwasaki e Game, do britânico John Minton, a que se juntam dois filmes iranianos: Poultry Farm, de Mohammad Reza Ardalan, e Sunshine Express, de Amirali Narvaee.
A parceria com a Cinemateca Portuguesa vai abrir o apetite pelo cinema de terror feito por cineastas da Europa de Leste antes da queda do Muro de Berlim, intitulada Lost in Europe. São seis filmes, entre os quais brilha Possession (1981), rodado em Berlim pelo exilado polaco Andrzej Żuławski, com Isabelle Adjani e o recentemente falecido Sam Neill. A ele se juntarão outros títulos das então Jugoslávia, RDA, URSS e Checoslováquia. No reino das retrospetivas, haverá ainda espaço para um programa dedicado ao cineasta italiano Sergio Martino, um dos muitos nomes da produção de exploitation transalpina dos anos 1970 e 1980. Os 20 anos do MOTELX coincidem ainda com o centenário do nascimento de Roger Corman,“Papa” da série B americana, que traz a Lisboa a sua mulher, Julie Corman, que estará presente na na exibição de duas obras suas: o primeiro título do ciclo Edgar Allan Poe, A Queda da Casa de Usher (1960), e a comédia negra de 1959 A Bucket of Blood.
Duas décadas a elevar o terror ao Olimpo que é o grande ecrã e a conquistar público. Segundo dados do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), 240 mil espetadores acompanharam o festival ao longo da sua existência. É motivo para celebrar e continuar a distribuir sustos.