Quase três anos volvidos sobre o primeiro caso de Covid-19 em Portugal, cuja propagação atingiu dimensões gigantescas e inimagináveis, onde o País parou, obrigou os portugueses a ficar sitiados em casa, descobrindo novas formas de sobrevivência, de trabalho (digital), de interação social e de vida familiar.
Nestes tempos únicos vividos, o retrocesso económico foi brutal e agora que se conhece o crescimento da economia em 2022, que se fixou em 6,7% no ano (mas 3,2% apenas no último trimestre), verifica-se que ainda não é suficiente para a recuperação que precisávamos, num Portugal resiliente.
Aliás, a desaceleração das exportações contrabalança com a intensidade crescente das importações de bens e serviços, o que nos torna ainda mais dependentes do exterior e dos impactos da guerra na Europa.
Com todo este aparente, mas certo descontrolo, o país vai empobrecendo muito mais que os outros e cada vez mais dependente da ajuda externa, pois estamos cada vez mais, e exponencialmente, endividados.
Apesar de o ministro das Finanças reclamar uma queda no endividamento do Estado, a boleia da inflação e do crescimento económico não foram suficientes para conter em volume o acréscimo de mais 19,1 mil milhões de euros, totalizando os quase 800 mil milhões no ano passado (Estado, empresas e particulares), situando-se em 333,9% do PIB em 2022.
Mesmo antes do drama da pandemia, onde só no Estado a dívida pública atingia em dezembro de 2019 os 117,7% do PIB, em 2022, com todos os esforços tidos, esta regrediu apenas para 113,8%. Para o Estado, os números divulgados esta semana, até podem ser simpáticos, mas para os portugueses o impulso é insuficiente.
Feitas as contas, cada cidadão português deve quase mais 80 mil euros, com o Estado a dever menos agora, mas o endividamento das famílias e empresas lá vai crescendo e, com esta gestão, não sei mesmo onde iremos parar. Em 2020, a economia portuguesa contraiu 7,6%, dois anos depois a subida é de 6,7%. Em suma, temos mesmo de crescer muito, mas muito mais.
Na verdade, e apesar do reforço dos meios financeiros da bazuca europeia, dos fundos do PRR e da coesão europeia, continuamos a estar mais pobres e exponencialmente mais endividados, e ainda com um combate gigante para travar com a inflação e a abrupta variação das taxas de juro sobre a habitação. A perda de rendimentos é real e acentuada, e os apoios às famílias tem sido insuficiente para travar as desigualdades.
A exigência na gestão pública tem de manter-se, pois não podemos ser os piores do mundo em quase todos os indicadores financeiros. É que a fatura a pagar no futuro, incluindo a dos desperdícios, que são muitos, vai colocar em causa não só as próximas gerações, mas também o país.