“Não há, na arte, nem passado nem futuro. A arte que não estiver no presente jamais será arte.” – Pablo Picasso
A Inteligência Artificial (IA) generativa que consegue criar novo conteúdo, tal como áudio, código, texto ou vídeo tem estado a recolher muita atenção nos últimos tempos e questionado o papel do humano no processo de criação.
Ora, se visitarem qualquer lista de competências de futuro, encontrão criatividade algures na lista entre as dez competências mais essenciais para o sucesso individual, mas se vivermos num mundo em que a máquina é capaz de criar conteúdo único, será que esta competência não passa a ser também assegurada pela máquina? Será que as artes passarão do domínio dos homens para o domínio das máquinas?
A capacidade de criar com maior rapidez e menos custos parece ser uma ameaça para várias áreas de atividade profissional como marketing, publicidade, vendas, media, gaming e coding, design, direito, arquitetura, entre outros. Quem pode competir com criatividade infinita? Será que a GenAI pode ser usada para melhorar ou substituir muitas tarefas efetuadas por seres humanos na área de criação?
O Dall-E 2 é uma ferramenta online que usa IA para criar ilustrações a partir de descrições dos utilizadores. Para quem nunca teve jeito para a arte, esta capacidade mágica de criar uma imagem a partir de pequenos descritivos, é uma sensação poderosa.
Todos os dias são cocriados, entre humanos e máquinas, mais de 20 milhões de novas imagens em apenas 4 plataformas (Midjourney, Stable Diffusion, Artbreeder e DALL-E.) Estas imagens têm um elemento interessante, pois se por um lado produzem o que esperaríamos de uma imagem, por outro são geradas de uma forma improvável e imaginativa.
Mais recentemente o ChatGPT desenvolvido pela empresa Open AI tem estado nas bocas do mundo, devido ao potencial do mesmo criar conteúdo original de qualidade variável nas mais diversas áreas. Lançado em novembro 2022, o ChatGPT conseguiu angariar mais de 1 milhão de utilizadores registados em apenas cinco dias, o que é incrível quando comparado com outras plataformas como o Twitter (24 dias), o LinkedIn (17 dias) e o Instagram (2,5 meses). Existe um apetite voraz para investir na área de IA generativo sendo que o mesmo cresceu de 213 milhões de dólares em 2020 para 1,5 mil milhões em 2022.
Esta aplicação “texto-para-ensaio” tem sido alvo de escrutínio por parte de muitas instituições de ensino na procura da defesa da integridade intelectual dos trabalhos submetidos. Esta tarefa é mais difícil do que parece. A Open AI treinou um classificador de texto para poder distinguir entre textos criados por um ser humano ou escrito por IA e os resultados foram fracos, sendo que o classificador identifica corretamente texto escrito por IA em apenas 26% das situações e origina 9% de falsos positivos (texto escrito por humano classificado como sendo de IA).
Assim, será que a capacidade de cocriar com GenAI passa a ser a nova competência do futuro? De uma forma ou outra, estamos na fase da cocriação entre humano e máquina. O segredo destas novas aplicações reside nas “conversas” longas entre as duas partes. A qualidade das descrições e das questões impactam o output do trabalho. As várias iterações levam à melhoria continua, ao refinar da solução e à aprendizagem mútua. Existe uma beleza única nesta nova forma de criação o que poderá ajudar a expandir o processo de criatividade e de inovação.
Trata-se de um campo novo em que estamos todos a aprender a respeito de riscos e oportunidades, mas parece evidente que a integração destas soluções homem-máquina serão cada vez mais prevalentes nos negócios, na sociedade e na arte.