O ênfase que se dá ao curto prazo continua a ser desmedido face às questões estruturais que precisam de ser resolvidas para criar um ambiente económico que possa promover uma convergência económica com o resto da Europa.
Não obstante as perspetivas para a economia portuguesa sejam favoráveis, há algo que nos deve preocupar, e que reside na nossa incapacidade em provocar um choque positivo, significativo, no crescimento económico.
Falta ambição ao PE para aproveitarmos devidamente os fundos disponíveis e uma certa conjuntura para a economia dar um salto de crescimento, inovação e desenvolvimento.
A economia nacional dá sinais positivos na vertente macro, mas as micro, pequenas e médias empresas estão preocupadas com a subida dos custos, incluindo de financiamento, que pode levar as mais endividadas à insolvência. Mecanismos como o RERE continuam ignorados.
Com os juros a subir e a inflação em níveis recorde na zona euro, Luís Campos e Cunha realça o impacto de decisões políticas nas perspetivas económicas globais e nacionais, em particular no capítulo da guerra. Para este ano, a expectativa continua num bom crescimento português.
Há mais razões do que o efeito base e o fim da maioria das medidas de controlo sanitário para estar otimista face a 2022, sem descurar o turismo e uma menor exposição às consequências do conflito na Ucrânia.
A economia portuguesa, hoje dominada por uma euforia de crescimento contagiante, mostra-se alheia às contrariedades e desafia qualquer previsão de muito curto prazo.
A previsão para o curto prazo é encorajadora, mas os dados que se apontam para os anos seguintes são um aviso para executarmos as reformas consideradas indispensáveis e aplicar devidamente os fundos disponíveis.
Um dos fatores para a definição de políticas é se esta inflação é mais conjuntural ou mais estrutural. Uma parte dela, pequena, é controlada pelos decisores políticos. Mas o resto é um exercício complicado de adivinhação.
Portugal (e o mundo) foi surpreendido pelo fator de incerteza à economia global. Efeitos do conflito militar da Ucrânia poderão conduzir a um menor crescimento económico da zona euro.
Como na ‘matrioska’, os efeitos do conflito militar têm várias faces. O aumento dos custos energéticos e inflação são os mais visíveis. Deterioração financeira dos parceiros comerciais, logo menos compras a Portugal, ameaçando a retoma.
A inflação vinha colocando um ponto de interrogação na recuperação económica europeia, gerando expectativa para uma possível subida das taxas de juro ainda este ano, mas a guerra na Ucrânia gera ainda mais incerteza. Em Portugal, consolidação orçamental deve continuar.
Um conselho para a Europa, do Atlântico aos Urais, para ultrapassar a sua estagnação. Mais conhecimento, menos arrogância e mais abertura ao diferente e à inovação e, por último, menos medo de arriscar.
Dada a incerteza que a corrente situação geopolítica no Leste da europa traz, estou em crer que quaisquer números que possam ser apontados para 2022 serão meramente indicativos.
A economia portuguesa, permeável, tenderá a seguir a dinâmica dos seus parceiros, mais dependentes da energia que vem da Rússia, antevendo-se uma queda do consumo e do investimento e talvez mesmo recessão.
O que podemos fazer para estimular as exportações? Uma pista, tornar o IDE mais atraente. Para o alcançar, o caminho é reduzir os obstáculos de que os investidores se queixam: alto IRC, burocracia e licenciamentos lentos, etc.
Temos que conseguir a par com o controlo da conjuntura, isto é, o controlo dos ciclos, com adequadas políticas anti cíclicas, mudar definitivamente a estrutura.
O novo Governo deverá ter como objectivos primeiros o crescimento económico de forma sustentada e a criação de condições que permitam aumentar a nossa competitividade e melhorar a produtividade do trabalho.
O grupo de análise económica do ISEG destaca a procura interna como o principal impulsionador do crescimento da economia, sobretudo o consumo privado (5%), consumo público (3%) e investimento (10%).
Economistas consultados pelo Jornal Económico dizem que dado
o efeito base do ano afetado pela pandemia será mais útil olhar para os valores absolutos e distância relativamente aos níveis pré-covid.
Governo conta com investimento público para impulsionar a expansão do PIB em 2022, mas instituições nacionais e internacionais estimam crescimento da formação bruta de capital fixo abaixo da previsão das Finanças.
O presidente do Fórum para a Competitividade considera “surpreendente o ar de alívio” nos portugueses com o chumbo do OE2022, dado que a queda do Governo terá mais vantagens do que inconvenientes, especialmente dados os recuos que este previa em reformas-chave.