“O Meu Corpo Humano”, da escritora portuguesa Maria do Rosário Pedreira, assinalou o regresso de uma das grandes vozes da poesia portuguesa e foi hoje distinguido com o Prémio Literário Casino da Póvoa, oficializando assim o anúncio feito na sessão inaugural da 24ª edição do festival Correntes d’Escritas, a decorrer até dia 20 de fevereiro na Póvoa de Varzim.
“É o meu corpo
humano: vê, ouve,
toca, pensa e
dói-lhe.
Volto porque
preciso muito
que me amem”.
Este ano, o Prémio Literário Casino da Póvoa, no valor de vinte mil euros, foi dedicado à poesia e contou com 11 finalistas. A obra vencedora, “O Meu Corpo Humano”, editado pela Quetzal, marca o regresso da autora após alguns anos de silêncio e convoca as relações entre as partes que compõem o nosso corpo: da cabeça aos rins e aos tornozelos, dos olhos às mãos e ao coração, todos habitam a nossa vida, a nossa memória.
Nascida em Lisboa em 1959, Maria do Rosário Pedreira licenciou-se, em 1981, pela Universidade Clássica de Lisboa, em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Franceses e Ingleses. Foi bolseira do governo italiano e aluna do Goethe Institut. O ensino e a tradução foram os caminhos trilhados, paralelamente à atividade editorial. Coordenou os serviços da Editora Gradiva, foi diretora de publicações da Sociedade Portugal-Frankfurt/97 e editou os catálogos das exposições temáticas da Expo’98, entre outros. Em 1998, tornou-se editora da publicação Temas e Debates.
O apelo da Literatura falou mais alto
Iniciou a sua carreira literária em 1996, com um livro de poesia “A Casa e o Cheiro dos Livros”, cuja edição se esgotou de imediato. Seis anos depois, e após a edição de vários títulos em prosa, nomeadamente o romance “Alguns Homens, Duas Mulheres e Eu” e literatura infantil, Maria do Rosário Pedreira publica um novo livro de poemas “O Canto do Vento nos Ciprestes”, que recolhe amplo reconhecimento da crítica. Nascido da “experiência de perda” vivenciada num determinado período da vida, a autora considera que deve ser lido de enfiada como se de um pequeno romance se tratasse.
Distinguida com alguns prémios literários, é detentora de uma obra diversificada, em prosa, poesia, ensaio e crónica, constituindo a literatura juvenil – grosso da sua ficção – um veículo de transmissão de valores humanos e culturais. As coleções juvenis “Detective Maravilhas” e “O Clube das Chaves”, em parceria com Maria Teresa M. González, são já parte integrante do universo ficcional da adolescência portuguesa.