O Principezinho celebra 80 anos e há um novo livro de homenagem a Saint-Exupéry

É da vida extraordinária que Antoine de Saint-Exupéry levava nos tempos de piloto da Aéropostale que nasce esta novela gráfica. Pierre-Roland Saint-Dizier e Cédric Fernandez percorrem o caminho do escritor-aviador, homenageando o autor nos 80 anos da sua obra emblemática, "O Principezinho".

O Principezinho celebra 80 anos e há um novo livro de homenagem a Saint-Exupéry
Saint_Exupéry_montagem

 

Antoine de Saint-Exupéry foi um escritor, poeta, jornalista e aviador francês, mundialmente conhecido pela obra O Principezinho (Le Petit Prince), uma das mais traduzidas da literatura universal.

Nascido em 29 de junho de 1900, em Lyon, França, Saint-Exupéry desenvolveu desde cedo interesse pela aviação. Nos anos 1920, trabalhou como piloto de correio aéreo, transportando correspondência por rotas perigosas entre a Europa, África e América do Sul. As suas experiências como aviador inspiraram grande parte da sua obra literária, como Correio do Sul (1929), Voo Noturno (1931), Terra dos Homens (1939) ou Piloto de Guerra (1942). Nelas aborda temas como amizade, amor, responsabilidade, coragem, solidão e o sentido da vida.

Regressamos a O Principezinho e àquela que será, talvez, a sua frase mais famosa – “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.” – síntese da visão humanista do autor na figura de um piloto que é forçado a aterrar de emergência no deserto, onde encontra um rapazinho, que se revela ser um príncipe de outro planeta. O principezinho conta-lhe as suas aventuras na Terra e fala-lhe da preciosa rosa que possui no seu astro natal. Acaba, no entanto, por ficar desiludido ao saber que as rosas são bastante comuns na Terra e é aconselhado, por uma raposa do deserto, a continuar a amar a sua rosa rara. O principezinho regressa ao seu próprio planeta, tendo, contudo, encontrado um sentido para a sua vida.

Descolando da ilha da Sardenha a 31 de julho de 1944, em missão de reconhecimento, Saint-Exupéry nunca chegaria ao destino no Sul de França. Restam dúvidas quanto às possibilidades de ter sido abatido, ter tido uma falha técnica ou cometido suicídio. Deixou em terra o manuscrito inacabado de La Citadelle (1948, Cidadela), em que refletia o seu crescente interesse pela política.

A partir de 14 de agosto, chega às bancas a novela gráfica “Saint-Exupéry e a origem do Principezinho”, da dupla Pierre-Roland Saint-Dizier e Cédric Fernandez. Os autores percorrem o caminho deste homem dividido entre a aviação, o jornalismo e a literatura, revelando como as suas experiências, memórias e inquietações deram origem ao universo poético de O Principezinho. Entre o deserto e o céu, entre o perigo e a imaginação, descobrimos o homem antes da lenda.

Uma iniciativa da editora Levoir e do jornal Público, que inclui, no final do livro, um dossiê com imagens da vida de Saint-Exupéry nos Estados Unidos.

Relacionado

O que faz Anselm Kiefer com o peso da história?

O que faz Anselm Kiefer com o peso da história?

Ana Pina25 Ago
Memória, mitologia, literatura, música e paisagem. Tudo está interligado nas onze obras que o pintor alemão Anselm Kiefer, um dos grandes nomes da arte contemporânea europeia, expõe até 25 de outubro no Centro de Arte Hortensia Herrero, em Valência, Espanha.
Eça, Os Maias e as janelas digitais

Eça, Os Maias e as janelas digitais

Ana Pina3 Ago
A Quetzal lançou uma nova edição de “Os Maias”. O fino humor e ironia de Eça de Queirós continuam intactos, a novidade está na componente tecnológica. Objetivo? Aproximar a obra dos leitores do século XXI.