Os efeitos nefastos da pandemia, que perdura e se prolonga há mais de dois anos e cujo fim ainda não se vislumbra, bem como os efeitos da guerra na Ucrânia que dura há cerca de três meses, trouxeram para o mundo e, em particular, para Portugal uma absoluta necessidade de planear um forte apoio à retoma económica, proteger o emprego e o rendimento dos portugueses, e evitar mais austeridade no futuro.
O Estado terá de ter um papel absolutamente relevante neste domínio com o apoio comunitário, na eficiente utilização dos fundos comunitários de recuperação e resiliência (PRR) e no acordo obtido no âmbito do Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027. Inequivocamente, os montantes são bons para Portugal, e para a coesão e solidariedade da Europa também.
São muitos biliões de euros atribuídos, e uma parte significativa a fundo perdido, para a retoma da economia pós-crises. Quiçá a nossa derradeira oportunidade para tornar Portugal competitivo e dinâmico neste mundo global onde vivemos. Em concreto, iremos arrecadar 15,3 mil milhões de euros em transferências a fundo perdido no âmbito deste fundo de recuperação, a que acresce cerca de 29 mil milhões do Quadro Comunitário de Apoio 2021-2027, perfazendo assim um montante total de apoio na ordem dos 45 mil milhões de euros.
Impõe-se assim muita sabedoria, rigor e critério na aplicação deste dinheiro, na medida em que é um apoio determinante para combater a crise social e económica que a pandemia e as crises energética e de inflação provocaram, constituindo-se com uma nova oportunidade para o futuro de todos os portugueses.
Saber utilizar bem esta verba europeia é, também, direcioná-la para as pessoas, empresas, instituições e associações e não apenas para o Estado. As medidas a implementar deverão, por isso, incorporar novas ideias e projetos sobre a transformação estratégica que queremos ver no país, não devendo reduzir-se a empresas como a TAP, CP ou EFACEC, entre tantas outras que vivem do Orçamento do Estado.
Há vida para além destas empresas. Há muitas oportunidades que não podem nem devem ser perdidas, talentos para descobrir, áreas de negócio para apostar, projetos inovadores para investir. O tempo é curto e precisamos de respostas com efeito imediato para evitar males maiores e, simultaneamente, preparar o futuro das próximas gerações com visão e estratégia.
Neste cenário decisivo, é crucial projetar o período pós-crise sem amarras partidárias, propaganda política ou agendas individuais. A nossa missão deve ser mitigar e contornar os efeitos das crises vividas, preparando o futuro para a prosperidade. A ajuda da Europa é uma grande oportunidade. Trabalhemos para que esta não seja mais uma grande oportunidade perdida. Diretos ao futuro, pois, é agora Portugal!