Nos dias que correm, a atração e retenção de talento é uma das chaves para o sucesso. A taxa de desempego em Portugal está em mínimos históricos, a rondar os 6%, outros países europeus apresentam tendências semelhantes, os jovens deixaram de ser portugueses para ser cidadãos do mundo e cada vez é mais difícil encontrar e reter talento.
Um erro que os líderes cometem com regularidade é desvalorizar as pessoas que têm dentro da própria empresa, adotando uma postura reativa. Apenas quando os colaboradores se mostram descontentes ou recebem uma proposta de trabalho é que decidem correr atrás do prejuízo e procuram valorizar, mostrar agradecimento e reconhecer o valor, cobrir a proposta ou melhorar as condições existentes.
Num mercado tão concorrencial, isto não chega. É necessário fazer diferente, antecipar!
O truque é seguir alguns princípios que nos permitem perceber o real valor das pessoas para a empresa. Por exemplo, se esta pessoa é uma referência para a sua equipa. Se é um elo de ligação entre os colaboradores. Se é uma mais-valia para os clientes que tem à sua responsabilidade e para quem a rodeia. Um valor não monetário, mas com benefícios incalculáveis. É crucial também perceber qual o impacto que a empresa teria se a pessoa eventualmente saísse.
Quanto tempo levaria a substituí-la? Quanto tempo e quantas horas gastaríamos em formação? Qual o impacto que a saída teria para os seus (nossos) clientes e para a própria equipa? Quanto tempo seria necessário para que a nova pessoa estivesse 100% ambientada? E, num nível mais básico, procurar saber se cada pessoa está a ser remunerada em linha com o mercado.
O segredo é agir e ser proativo, não reagir apenas quando as pessoas estão descontentes porque a falta deste trabalho de casa pode ter consequências irreversíveis. Isto vai criar uma forte cultura de empresa, uma relação próxima com os colaboradores e, acima de tudo, uma credibilização da liderança. Quando for preciso exigir mais ou adaptar a novas condições de mercado, as pessoas vão reagir de forma muito positiva e vestir a camisola.
O sucesso de uma empresa não é resultado de uma pessoa, mas sim de um conjunto de colaboradores que contribuem conjuntamente para uma causa. Para ter um negócio grande precisamos de pessoas e equipas motivadas. Trabalhadores valorizados são pessoas produtivas e eficientes.
Antecipar a valorização dos colaboradores é um trabalho contínuo e muito exigente para quem o executa, mas, sobretudo, é um dever que não precisa de ser revelado porque se sente.