Mais uma pedra no sapato de Dilma. Esta quarta-feira, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi preso durante mais uma etapa da Operação Lava Jato, que investiga o grande esquema de corrupção da Petrobas. Vaccari está a ser investigado por suspeitas de receber uma propina no famoso esquema criminoso.
As denúncias vieram, alegadamente, do ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, que também é investigado pela justiça e que terá afirmado que Vaccari recebeu cerca de 200 milhões de reais (cerca de 60 milhões de euros) em nome do PT no esquema investigado pela Lava Jato. As apurações da Polícia Federal apontam que as propinas eram pagas por empreiteiras que assinavam contratos com a petroleira. Além disso, Vaccari também aparece em depoimentos de Alberto Youssef – réu confesso e assumido tesoureiro do esquema de corrupção. Youssef terá dito que chegou a enviar um funcionário para a frente da sede do PT, em São Paulo, com 400 mil reais (120 mil euros) para serem entregues a Vaccari.
Abril até tinha começado sem grandes sobressaltos para a Presidente do Brasil. O dólar caiu, as ações da Petrobras subiram e até a temida manifestação do último domingo (12) ficou bastante aquém da histórica registada no dia 15 de março. Nenhuma notícia fantástica, mas Dilma governava sob a máxima “no bad news is good news”. A detenção de Vaccari caiu, por isso, como uma bomba, atingindo o coração do Partido dos Trabalhadores. Afinal, inocente ou culpado, o PT não se livra da suspeita concreta de que havia fluxo de dinheiro sujo no seu departamento financeiro. É a primeira vez que uma detenção sugere relação direta entre o esquema de corrupção na Petrobras e o partido no poder. Neste cenário, o PT não teve saída se não anunciar o afastamento de João Vaccari da sua tesouraria. Não quis com isto o PT admitir que Vaccari tem culpa no cartório, mas antes que se trata de uma questão prática e legal sobretudo porque, estando preso, Vaccari não pode exercer as suas tarefas na Secretaria de Finanças. Num comunicado à imprensa, o PT reitera acreditar na inocência do camarada. Nada mais normal.
Quando a notícia da detenção tornou-se pública, começaram as habituais apostas sobre o que iria acontecer nas próximas horas. Informações privilegiadas deram conta de que a Polícia Federal se preparava para aliciar Vaccari para aceitar a chamada Delação Premiada, um benefício legal atribuído a arguidos que aceitem colaborar com a investigação e apontar o dedo aos seus cúmplices. Escusado será dizer que, caso Vaccari aceitasse ser um delator e realmente fosse culpado, seria o fim do governo de Dilma. Seria a gota de água que faria transbordar o copo, resultando na destituição da presidência. No entanto, Vaccari não é do tipo que aceita ser delator. É um homem fiel ao partido e – nem mesmo sob tortura, dizem – aceitaria assumir a culpa e levar o PT à ruína.
As primeiras suspeitas sobre Vaccari surgiram no ano passado e, desde então, o petista nega qualquer participação no esquema da Petrobras. Pouco se sabe ainda sobre os contornos da acusação, mas o cenário é bem feio. A mulher e a cunhada de Vaccari também surgem em depoimentos da Lava Jato. A mulher já foi levada pela polícia para prestar depoimento e a cunhada tem, à data deste texto, um mandado de prisão temporária.
Neste contexto, o prémio de comentário desnecessário vai para o secretário nacional de Organização do PT, Florisvaldo Souza, que afirmou que apesar da prisão de Vaccari, “temos um governo, temos o Congresso, a vida continua”. Penso que a maioria da população não concordará com o tom passivo da declaração.
Juliana Pereira Martins
Jornalista
Correspondente no Brasil