Os bancos portugueses registaram lucros agregados de 2,5 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2026, menos 5,2% do que um ano antes, mas mantiveram resultados sólidos apoiados pelo crescimento do crédito, pelo aumento das comissões e por um baixo custo do risco, segundo a Morningstar DBRS. Para a totalidade do exercício de 2026, a Morningstar DBRS prevê que a rentabilidade dos bancos se mantenha sólida e a margem financeira estável ou ligeiramente superior à de 2025, embora alertando que uma eventual deterioração do contexto geopolítico global constitui o principal risco descendente para o cenário macroeconómico
De acordo com uma análise da agência de rating financeira, a ligeira diminuição dos resultados líquidos em comparação com o período homólogo de 2025 reflete, sobretudo, menores proveitos de operações financeiras, o aumento dos custos operacionais e a ausência do efeito extraordinário registado no ano passado relativo à anulação da taxa adicional de solidariedade sobre o setor bancário por decisão do Tribunal Constitucional.
A agência de notação de crédito considera que a banca portuguesa deverá manter uma rentabilidade sólida durante 2026, embora os resultados do conjunto do ano possam ficar estáveis ou recuar moderadamente face aos níveis elevados de 2025.
A rentabilidade dos capitais próprios (ROE) agregado dos seis maiores grupos bancários analisados pela DBRS — Caixa Geral de Depósitos, BCP, Novobanco, Banco Montepio, BPI e Santander Totta — caiu para 14,8% no primeiro semestre, contra 16,7% no mesmo período de 2025.
Com exceção do BCP — cujo lucro atribuível cresceu 12,7% em termos homólogos, impulsionado pela atividade em Portugal e pela redução de provisões associadas aos empréstimos em francos suíços na Polónia —, todas as restantes grandes instituições financeiras analisadas (Caixa , Santander Totta, Novobanco, Banco BPI e Banco Montepio) viram os seus resultados recuar no período.
A margem financeira agregada manteve-se praticamente estável no primeiro semestre. BCP, Banco Montepio e Novobanco registaram crescimento, beneficiando do aumento do crédito, de maiores contributos das carteiras de títulos e de coberturas de taxa de juro, além de custos de financiamento mais baixos.
Em sentido contrário, a margem financeira da CGD, BPI e Santander Totta diminuiu, uma vez que o crescimento dos novos empréstimos não compensou totalmente a descida das taxas de juro dos ativos.
A agência prevê que a margem financeira da maioria dos bancos portugueses termine 2026 estável ou ligeiramente acima de 2025, suportada pelo crescimento do crédito e por uma curva da Euribor mais favorável.
As comissões líquidas aumentaram 5,3% no primeiro semestre, com crescimento em todos os bancos analisados à exceção do Novobanco. A evolução foi sustentada pelos serviços de pagamentos, seguros, gestão de ativos e pelo aumento global dos volumes de negócio.
Os custos operacionais aumentaram 4,8%, refletindo pressões inflacionistas, investimento na digitalização e inteligência artificial e maiores amortizações associadas ao investimento em tecnologias de informação. Ainda assim, o rácio de eficiência agregado manteve-se em 37%, praticamente inalterado face a 2025.
As imparidades de crédito e outras provisões diminuíram de forma significativa, sobretudo devido a maiores reversões de perdas de crédito na CGD e a menores provisões gerais na maioria dos bancos. O custo médio simples do risco de crédito foi de -2 pontos base, contra zero pontos base no primeiro semestre de 2025.
A DBRS espera que as imparidades aumentem no resto do ano, excluindo novas reversões na CGD, devido ao aumento da incerteza geopolítica e à normalização do custo do risco depois dos níveis excecionalmente baixos registados em 2025.
Na qualidade dos ativos, o rácio médio simples de exposições não produtivas (Non-Performing Exposures — NPE) caiu para 1,6% no final de junho, ligeiramente abaixo do trimestre anterior. O nível de cobertura destas exposições situou-se em 96%. A evolução refletiu o crescimento do crédito e a redução do stock de crédito malparado na maioria dos bancos, mantendo-se também elevados os níveis de cobertura de NPE. A DBRS destaca que a melhoria da qualidade da carteira de crédito foi apoiada pelo baixo desemprego e resiliência económica do país.
No balanço, o crédito bruto agregado cresceu 9% em termos homólogos no final de junho, com o crédito à habitação a apresentar o crescimento mais forte, seguido pelo financiamento às empresas. A Morningstar DBRS espera que a expansão do crédito continue no segundo semestre, embora antecipe uma moderação do crescimento do crédito hipotecário.
A capitalização permaneceu robusta, com o rácio CET1 médio simples em 16,9% no final de junho, praticamente estável face ao trimestre anterior. Segundo a DBRS, a maioria dos bancos mantinha almofadas de capital superiores a 550 pontos base face aos requisitos regulamentares mínimos.
A agência considera que não existem atualmente riscos materiais que alterem a sua avaliação para o setor, embora alerte que uma deterioração inesperada do contexto geopolítico poderá enfraquecer as perspetivas macroeconómicas e pressionar o desempenho operacional dos bancos.