Rangel pede pressão “mais firme” da União Europeia sobre Israel

“A União Europeia (UE) devia ser mais firme, temos alguma capacidade de pressão. Caso contrário, seria visto como indiferença e não podemos ser indiferentes”, considerou hoje Paulo Rangel durante uma audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.

Rangel pede pressão “mais firme” da União Europeia sobre Israel
Paulo Rangel – EuroAmericas 2025

O ministro dos Negócios Estrangeiros português considerou hoje que a União Europeia deveria “ser mais firme” na pressão sobre Israel, lamentando que os 27 não tenham aprovado sanções contra dois ministros de extrema-direita, que são “fator de perturbação”.

“A União Europeia (UE) devia ser mais firme, temos alguma capacidade de pressão. Caso contrário, seria visto como indiferença e não podemos ser indiferentes”, considerou hoje Paulo Rangel durante uma audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.

Para o chefe da diplomacia portuguesa, é “muito importante fazer uma grande pressão sobre Israel”, onde “a radicalização está em curso e pode fazer perigar equilíbrios frágeis”.

O ministro defendeu que a UE tem “um papel de demagogia e de pressão que é importante”.

“Lamento que o Conselho de Negócios Estrangeiros [da União Europeia] não tenha sido capaz de decretar sanções aos ministros que são fator de grande instabilidade e perturbação”, afirmou, referindo-se a Itamar Ben-Gvir (Segurança Nacional) e Bezalel Smotrich (Finanças).

Os chefes da diplomacia da UE, que se reuniram na segunda-feira, não chegaram a acordo para sancionar o ministro Ben-Gvir pelo tratamento que deu a ativistas da flotilha Global Sumud, detidos por Israel em maio.

Rangel considerou que “o que se vê” na Cisjordânia, Líbano ou Gaza “é grave”.

O ministro sublinhou que Portugal é “um grande amigo de Israel” e distinguiu o país “em si” de “correntes extremistas”.

“Devemos sempre manter as melhores relações com Israel para viabilizarmos a solução dos dois Estados [Israel e Palestina]”, ressalvou.

“Condenamos todos os extremistas”, afirmou, criticando o “extremismo religioso”, e referindo “a perseguição enorme de cristãos no Líbano”, nomeadamente pelo exército israelita.

Rangel sublinhou igualmente a forte condenação ao movimento islamita palestiniano Hamas, “que está a aumentar a sua atividade”.

“Não podemos relaxar a condenação do Hamas, do Hezbollah e das milícias iranianas que atuam no Iraque”, disse.

O chefe da diplomacia portuguesa recordou que Portugal defendia a suspensão do acordo de associação UE-Israel, sobre a qual também não há consenso entre os 27 do bloco europeu, bem como as sanções aos ministros israelitas.

Desde o início do conflito na Faixa de Gaza, em outubro de 2023, o Governo português proibiu a exportação de armas para Israel e reconheceu o Estado palestiniano, destacou ainda.

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