Alemanha e Polónia reforçam cooperação na área da defesa

Os dois países devem reforçar a cooperação militar e as responsabilidades partilhadas no que se refere à defesa do Báltico. Mas não há lugar a um tratado de defesa mútua - para que os fantasmas do passado permaneçam encerrados nos compêndios de História.

Alemanha e Polónia reforçam cooperação na área da defesa
Friedrich Merz, Chanceler da República Federal da Alemanha

Alemanha e Polónia estão prestes a reforçar a sua colaboração na área de defesa através de um novo acordo que vai impulsionar a proteção do Mar Báltico e aumentar a cooperação militar e de comunicações entre os dois países europeus. O novo acordo será um mecanismo de reforço da capacidade europeia, a que não é alheio o facto de, bem perto dali, a crescente tensão com a Rússia incomodar cada vez mais os europeus.

As relações entre os dois vizinhos tornaram-se mais pragmáticas nos últimos anos, na sequência da guerra na Ucrânia – o que permitiu à Polónia e à Alemanha ultrapassarem o mau relacionamento que persistia desde antes da II Guerra e que se manteve no pós-guerra, nomeadamente a partido do momento em que a chamada Corina de Ferro separou os dois países – pelo menos em relação à parte ocidental da Alemanha, dividida em duas a partir de 1949.

Enquanto os Estados Unidos avaliam uma redução parcial da sua presença militar na Europa – e desde logo na Alemanha – a Polónia está empenhada em garantir que os principais aliados europeus assumam um papel maior na defesa do flanco oriental do continente. Do seu lado, o chanceler alemão Friedrich Merz tenta encontrar parceiros que apoiem as suas iniciativas para revitalizar as forças armadas, a Bundeswehr, com a ambição de construir o exército convencional mais forte do lado europeu da NATO – um esforço que tornará a Alemanha num pilar central da defesa europeia nos próximos anos, segundo afirmam alguns analistas. Outros dizem que a Alemanha está demasiado apressada em regressar a um papel que serviu entre 1949 e o fim da Guerra Fria (1991), período durante o qual estava na linha da frente da fronteira com o império soviético. O temor de muitos alemães é que os seus dirigentes estejam demasiado apressados em voltar pala essa linha.

Já a Polónia ganhou importância como centro logístico para apoio da Ucrânia, ao mesmo tempo que ninguém consegue esquecer séculos de história de guerras com a Rússia dos czares. Perante os avatares do mais recente, Vladimir Putin, a Polónia decidiu proceder a crescentes investimentos em defesa. A proximidade da Alemanha – que iniciou a expansão territorial de 1939 ocupando-a – torna ambos os países aliados naturais.

“Nós, alemães, precisamos de uma Polónia forte como parceira em pé de igualdade”, disse o chanceler Merz em Berlim, após reunir com o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk. “Isso é do nosso interesse fundamental”, recordando, de uma forma que alguns considerarão pouco simpática, o papel de ‘país-tampão’ que a Polónia pode assumir. O acordo de defesa deverá incluir planos para a proteção da região do Mar Báltico e detalhes sobre a cooperação em mobilidade e infraestruturas militares, cibersegurança e novas tecnologias.

Os observadores notam que o plano comum não contempla defesa mútua – ao contrário do que é normal quando dois países assinam tratados na área da defesa. Segundo a imprensa polaca, a explicação do ministro das Relações Exteriores do país, Radosław Sikorski, é que um acordo demasiado abrangente poderia ser pouco apreciado pelos próprios polacos. Ao mesmo tempo, poderia transmitir a Moscovo a ideia de uma frente comum germano-polaca igualmente pouco atraente e que despertaria medos que são facilmente ‘repescados’ dos compêndios de História.

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