Num contexto global onde a cimeira entre a China e os Estados Unidos não produziu nenhum resultado espetacular no que tem a ver com a guerra no Médio Oriente – salvo a confirmação de que Pequim prefere um Irão livre de armas nucleares – a hostilidade entre o regime de Teerão é as monarquias árabes continua em alta. Um ataque com drone provocou um incêndio num complexo nuclear nos Emirados Árabes Unidos, disseram autoridades de Abu Dhabi este domingo.
Os Emirados disseram que estão a investigar a origem do ataque e que o país tinha todo o direito de responder a mais um “ataque terrorista”. Em princípio, não haverá qualquer dúvida sobre de onde partiram os ataques – como aconteceu às dezenas de ataques anteriores ao longo das últimas semanas. A resposta do reino árabe indica que Abu Dhabi tem extrema relutância em responder a estes ataques, dando a entender que não o fará, para n~~ao despertar ainda mais a ira do Estado xiita.
O drone atingiu um gerador elétrico fora do perímetro interno do Complexo Nuclear de Barakah, informou o Gabinete de Imprensa de Abu Dhabi. Os níveis de segurança radiológica não foram afetados e não houve feridos, acrescentou o departamento. A Agência Internacional de Energia Atómica afirmou, por seu lado, que geradores a diesel de emergência estavam a fornecer energia à ‘unidade 3’ do complexo e pediu “máxima contenção militar” perto de qualquer instalação nuclear, acrescentando que está a acompanhar a situação de perto.
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos afirmou que outros dois drones foram neutralizados com sucesso. Desde o início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro, que o Estado xiita tem multiplicado ataques a vários países do Golfo que abrigam bases militares norte-americanas, atingindo locais que incluem infraestruturas civis e energéticas.
Mais de cinco semanas após a entrada em vigor de um frágil cessar-fogo, as exigências dos Estados Unidos e do Irã permanecem muito distantes, apesar dos esforços diplomáticos do Paquistão. Com a cimeira entre China e EUA, Washington parou com os envios de propostas para Teerão. A mais recente contraproposta dali enviada não foi aceite pela Casa Branca. Ou seja, está tudo de volta à ‘estaca zero’.
Um porta-voz das forças armadas iranianas, Abolfazl Shekarchi, disse este domingo que, se as ameaças de Trump se concretizassem, os Estados Unidos “enfrentariam cenários novos, agressivos e inesperados, e afundar-se-iam num atoleiro criado por eles próprios”. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irão, Esmaeil Baqaei, afirmou por seu turno que os Estados Unidos e Israel tentaram transferir a culpa pela instabilidade dos mercados de energia após a sua “agressão militar não provocada contra o Irão”.
Ebrahim Azizi, chefe da Comissão de Segurança Nacional do parlamento iraniano, afirmou no sábado que Teerão preparou um mecanismo para gerir o tráfego no Estreito de Ormuz, que será divulgado em breve – mas que deverá passar pela marcação de uma rota específica e portagens.
Recorde-se que, também este sábado, o Irão afirmou que está a negociar com vários países europeus para autorizar a travessia no estreito. A informação foi avançada pela televisão estatal iraniana, que diz que as conversações com os países europeus surgiram depois da passagem de navios asiáticos pelo Estreito de Ormuz. Azizi avisou que a passagem será apenas permitida aos navios comerciais de países cooperantes – o que terá levado a União a assumir-se como tal, apesar de o Irão se ter queixado do envio de forças militares navais para a região por parte da França (e do Reino Unido).