“Se não houver cibersegurança, um país pode parar”: especialistas debatem confiança digital

Tecido económico português é muito diversificado e lida com os riscos digitais de várias formas, nem sempre da mais eficaz. Mas os riscos digitais são cada vez maiores e exigem uma resposta eficaz. Essa foi uma das conclusões retiradas da conferência "Confiança Digital" que decorreu esta terça-feira no Estúdio Media Nove, no Tagus Park.

“Se não houver cibersegurança, um país pode parar”: especialistas debatem confiança digital
Confiança Digital – painel Como enfrentar o mundo digital

Como podem as empresas enfrentar o mundo digital? Num mundo em mudança e no contexto empresarial português, que é muito diversificado, é fundamental que as empresas se preparem e definam políticas para lidar com os desafios tecnológicos que são inevitáveis.

O tema esteve esteve em debate na conferência “Confiança Digital” que teve lugar esta terça-feira no Estúdio da Media Nove, no Tagus Park, em Oeiras, e juntou Duarte Conceição, CEO Contisystems,
Fernando Antas da Cunha, Managing Partner da Antas da Cunha Ecija e Francisco Marina Moreno, Consultor Senior Comunicações Legais e Compliance na Customer Comms.

Mas como é que as empresas conseguem responder ao desafio? Duarte Conceição começou por referir que Portugal tem grandes desigualdades naquele que é o seu tecido económico: “Há setores muito regulados mas depois temos um tecido muito diversificado e o risco é existencial para essas empresas”.

E como é que essas empresas se preparam? “A governança serve para definir um caminho para a utilização de IA e há um risco potencial; garantir segurança nos processos e literacia interna porque muitos dos riscos vêm dos próprios utilizadores”. Este especialista recordou que ainda há processos “que começam no digital e vão terminar no mundo físico” mas deixou uma garantia: “independentemente do canal, é muito importante gerar esta confiança”.

Francisco Marina Moreno foi desafiado a explicar um pouco o trabalho que tem sido feito na Customer Comms, tecnológica que concebe e executa  estratégias de comunicação omnicanal. “A verdade é que há uma regulação europeia e somos fornecedores de serviços eletrónicos de confiança que pode ajudar as empresas”.

E recorda: “Inicialmente, fizemos a transformação digital de processos que eram geridos por carta física e a pandemia foi claramente um acelerador para que as empresas incorporassem esta identidade digital”. Um exemplo de um sector muito sensível ao nível tecnológico: a banca. “Sabemos que a banca, por exemplo, é um setor muito sensível na relação com o cliente e foi preciso todo um trabalho para incutir confiança no consumidor. Tivemos empresas que conseguiram uma transformação para 100% digital com a pandemia”, realçou.

Fernando Antas da Cunha, Managing Partner da Antas da Cunha Ecija, acredita que estamos “perante uma alteração de paradigma no fator de competitividade” e recordou a velha máxima que também é válida para o cenário tecnológico: nos EUA inova-se e na UE regula-se.

“A Europa entende que o factor segurança e previsibilidade vai dar-nos uma vantagem competitiva”, começou por referir, mas deixou uma advertência: “Toda esta regulamentação vai fazer com que algumas empresas fiquem fora de toda a cadeia económica. Podemos ter toda a inovação do mundo mas se não houver cibersegurança, um país pode parar. São setores críticos em que é necessário mitigar o risco”.

“Temos processos digitais que se fazem também de forma analógica para fazer um “double check”. Há regulamentação que implica a responsabilidade pessoal dos administradores das empresas, é preciso ter consciência disso. Há um pré-conceito de que isto é só para empresas grandes e é importante que percebam que as empresas vivem da sua reputação”.

Sobre a Antas da Cunha, este responsável recorda que é “uma full AI firm” e que há Inteligência Artificial “em tudo o que fazemos: dos contratos à gestão. É fundamental para as nossas decisões do dia-a-dia”. E explicou todo o processo: “Criámos políticas, criámos um comité em que aprovámos as ferramentas de IA que vamos usar e que cumprimos todos os procedimentos de segurança. Temos áreas muito fortes de compliance e o conhecimento é muito multidisciplinar para que entrem num projeto de adequação, perceber onde está o gap das empresas, definir um plano de ação”.

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