“O Estado é um dos principais arquitetos da confiança digital”, defende Manuel Dias

O presidente da ARTE e CTO do Estado, Manuel Dias, foi o keynote speaker do encontro “Confiança Digital”. É na reforma tecnológica do Estado que se joga nos próximos anos o lugar de Portugal na Europa. A adoção acelerada da IA pode acrescentar entre 18 e 22 mil milhões de euros ao Produto Interno Bruto (PIB) português.

“O Estado é um dos principais arquitetos da confiança digital”, defende Manuel Dias
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É na reforma tecnológica do Estado que se joga nos próximos anos o lugar de Portugal na Europa. Esta foi a principal ideia defendida por Manuel Dias, presidente da Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE) e CTO (Chief Technology Officer) do Estado, no encontro de executivos “Confiança Digital”, um evento exclusivo no Estúdio da Media Nove e que juntou líderes empresariais e especialistas para refletir sobre os desafios e oportunidades da transformação digital. “Vivemos uma transição tecnológica sem paralelo na história — económica, social e, acima de tudo, geopolítica. Quando falamos de transformação digital, falamos muitas vezes de tecnologia. Mas, na verdade, o verdadeiro tema é outro: confiança. Sem confiança, não há adoção. Sem adoção, não há impacto. E sem impacto, não há transformação”, afirmou Manuel Dias.

Sobre qual é o papel do Estado num mundo em que a confiança passou a ser uma infraestrutura crítica, “o diagnóstico é claro”, sublinha Manuel Dias. Em setembro de 2024, Mario Draghi alertou: “A Europa perdeu competitividade face aos EUA e à China; apenas 4 das 50 maiores tecnológicas são europeias; mais de 80% do digital consumido na Europa vem de fora; O problema é de produtividade — e a produtividade depende da tecnologia. A soberania europeia está em risco”.

Sobre Portugal, o CTO do Estado enumerou os pontos fortes: 98,1% cobertura 5G; 92% fibra (terceiro lugar na UE), posição geográfica estratégica, terceiro lugar na UE em estudantes de engenharia; 63% energia renovável, terceiro em serviços públicos digitais (OCDE). Sobre as fragilidades, apenas 56% dos portugueses com competências digitais básicas (meta 80%), forte desigualdade nas competências digitais e produtividade a 75% da média europeia. “Portugal tem os alicerces — e o Estado é um dos principais arquitetos da confiança digital”, acrescenta Manuel Dias.

Em relação à importância da soberania digital, esta é a capacidade de decisão sobre infraestruturas, dados e tecnologia. “É poder escolher. Dizer sim — e, quando necessário, dizer não”.

A Estratégia Digital Nacional (EDN) concretiza em três frentes: Cloud Soberana (Infraestrutura nacional, segurança, controlo e competitividade para PMEs); Cibersegurança (Capacidade de antecipação, monitorização e resposta) e Inteligência Artificial — a fronteira decisiva. A Agenda Nacional de Inteligência Artificial (ANIA) de Portugal estima que a adoção acelerada da IA possa acrescentar entre 18 e 22 mil milhões de euros ao Produto Interno Bruto (PIB) português.

O responsável salienta ainda quatro eixos: Infraestrutura e Dados; Inovação e Adoção; Talento e Competências e Responsabilidade e Ética. Manuel Dias destaca também cinco iniciativas na AP: Escalonamento de IA em áreas críticas (com AMALIA); Formação avançada em IA; Centros de IA Setoriais; Doutoramentos e investigação aplicada; Centro de Excelência em IA na AP. “Temos enquadramento e rumo. Falta execução consistente”.

Manuel Dias revelou ainda que existem 4,8 milhões de chaves móveis ativas, 180 milhões de autenticações e 10 mil empresas na CDE.  “A confiança digital é condição — não é o fim. O fim é uma reforma tecnológica do Estado centrada no cidadão e nas empresas”, acrescenta. Nesse sentido, para o cidadão destacam-se os serviços que antecipam, identidade única, “only once”, omnicanal e inclusão.

Para as empresas significa menos burocracia, CDE, IA útil, compras públicas de inovação e regulação equilibrada. Para o Estado, IA na Administração Pública, decisão baseada em dados, Digital Ready Legislation e aprendizagem contínua. “Não é trocar sistemas — é transformar o Estado. A soberania dá autonomia. A IA dá produtividade. As competências dão inclusão. A transparência dá legitimidade. Mas é a reforma tecnológica do Estado que cria valor público. É este o caminho. É aqui que se joga o lugar de Portugal na Europa”, conclui Manuel Dias.

 

 

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