O setor da saúde humana e apoio social mostra aceleração em 2025 após um período de abrandamento, reforça o peso na economia nacional e consolida-se como um dos principais motores do mercado de trabalho em Portugal.
Depois de uma contração de -1,2% em 2024, o setor regista um crescimento de 7,3%, em 2025, que se intensificou progressivamente ao longo do ano. No último trimestre, a variação homóloga atingiu 10,7%, sinalizando uma aceleração do emprego e uma procura crescente por profissionais de saúde e apoio social.
Um retrato traçado pela Randstad Research, com base nos dados mais recentes do INE, Eurostat e IEFP, divulgado esta terça-feira, 7, no âmbito do Dia Mundial da Saúde, revela que o setor empregava 543,4 mil pessoas no quarto e último trimestre de 2025, o equivalente a 10,1% do emprego total em Portugal. Em 2019 eram 472,6 mil pessoas. Ou seja, em seis anos foram criados 70 mil postos de trabalho.
A área de saúde humana continua a ser o principal motor do emprego, concentrando 65,3% do total de trabalhadores, nomeadamente em hospitais, clínicas e consultórios.
Já as atividades de apoio social com alojamento representam 23,1%, com especial relevância para estruturas de apoio a idosos e pessoas com deficiência, enquanto o apoio social sem alojamento representa 11,6% do emprego do setor.
Em 2025, o crescimento foi particularmente expressivo nas atividades de saúde humana e no apoio com alojamento, ao passo que o segmento sem alojamento registou uma contração no final do ano, evidenciando dinâmicas diferenciadas dentro do setor.
A saúde também é a área da economia com mais trabalhadoras: 81% dos profissionais são mulheres. Num setor altamente especializado, 42,7% dos trabalhadores desempenham funções qualificadas, como médicos, enfermeiros e outros técnicos de saúde. Ainda assim, o seu funcionamento depende de uma base alargada de trabalhadores de cuidados pessoais e funções de apoio, que representam mais de um quarto do emprego total.
Os trabalhadores por conta de outrem são maioritários, representando cerca de 87% do total. Neste universo, os privados assumem um papel dominante, sendo responsáveis por 63,4% do emprego, enquanto o setor público representa 36,6%.
Paralelamente, o número de trabalhadores independentes mantém uma tendência de crescimento, tendo atingido cerca de 38,3 mil profissionais, refletindo uma maior procura por modelos de trabalho flexíveis.
Também ao nível da estrutura empresarial, o setor continua em expansão. Em 2023, existiam 118.558 empresas na área da saúde, um aumento de 2,2% face ao ano anterior e de mais de 45% na última década. A esmagadora maioria destas entidades (94,6%) está concentrada nas atividades de saúde humana, embora o crescimento mais dinâmico se observe nas atividades de apoio social, impulsionado por estruturas de menor dimensão e serviços de proximidade.
A evolução das remunerações acompanha a dinâmica de crescimento. Em dezembro de 2025, a remuneração média mensal no setor atingiu 2.033 euros brutos, um valor 8,3% superior à média nacional. Nos últimos 10 anos, os salários registaram um aumento de cerca de 70%, refletindo não só a valorização das funções técnicas e clínicas, mas também a pressão crescente para atrair e reter profissionais num contexto de escassez de talento.
A escassez é visível nos níveis de desemprego, que se mantêm baixos. Em fevereiro de 2026, estavam registados 18.470 desempregados no setor da saúde, o equivalente a 6,1% do desemprego total em Portugal. O desemprego encontra-se sobretudo concentrado em funções menos qualificadas, como os trabalhadores de cuidados pessoais, enquanto os profissionais de saúde com maior qualificação apresentam níveis residuais de desemprego, evidenciando uma forte procura por estas competências.
Luísa Cardoso, business unit manager responsável pelas áreas de clinical & life sciences da Randstad, destaca a consolidação do setor como um dos principais motores do mercado de trabalho no país, não apenas pelo volume de emprego que gera, mas pela sua crescente complexidade e exigência ao nível do talento.
“Assistimos a uma recuperação clara em 2025, mas também a um contexto mais desafiante, marcado por uma pressão crescente para atrair e reter profissionais qualificados, num mercado onde a oferta continua aquém da procura. Ao mesmo tempo, o aumento das remunerações e a maior presença do setor privado refletem uma transformação estrutural na forma como os cuidados de saúde são prestados e organizados”, afirma.