Moçambique e os Estados Unidos da América (EUA) querem “identificar desafios” e soluções para melhorar o ambiente de negócios, promovendo o comércio e o investimento, através de um grupo de trabalho bilateral anunciado esta terça-feira.
“Funcionará como um fórum regular para identificar desafios ao ambiente de negócios e desenvolver soluções práticas para os ultrapassar, com vista a promover o comércio e o investimento dos EUA em Moçambique. O objetivo do grupo de trabalho é fomentar um ambiente mais transparente, previsível e favorável à atividade empresarial, em benefício tanto das empresas moçambicanas como das empresas americanas”, lê-se num comunicado divulgado pela Embaixada norte-americana em Maputo.
Na mesma nota acrescenta-se que o grupo de trabalho bilateral será coliderado pela Embaixada “e pelos principais parceiros governamentais moçambicanos”, incluindo os ministérios dos Negócios Estrangeiros, Finanças, Recursos Minerais e Energia, Economia, Planeamento e Desenvolvimento, Transportes e Logística, e a Autoridade Tributária.
“Os EUA e Moçambique aguardam com expectativa a realização regular das reuniões do grupo de trabalho e o avanço de resultados concretos que apoiem um crescimento económico inclusivo, reforcem os laços comerciais e consolidem a parceria de longa data entre os dois países”, afirma-se.
A subsecretária adjunta norte-americana Sarah Troutman já tinha avançado em entrevista à Lusa, em 27 de fevereiro, que os dois governos acordaram criar um grupo de trabalho bilateral para melhorar o ambiente de negócios e atrair mais investimentos norte-americanos.
“Concordámos em criar um grupo de trabalho comercial bilateral com o Governo moçambicano, para discutir mais especificamente como podem melhorar o ambiente propício às empresas e atrair mais investimentos”, disse a subsecretária adjunta do Gabinete para África no Departamento de Estado dos EUA, à margem da visita de trabalho que realizou a Maputo.
“Será um excelente lugar para levantar algumas das questões de ambiente propício que se nos deparam”, insistiu Sarah Troutman, acrescentando: “Nós, obviamente, exortamos o Governo moçambicano a tratar as empresas norte-americanas de forma justa. Ouvimos muitos comentários da Câmara de Comércio norte-americana [Câmara de Comércio Moçambique – EUA], enquanto estivemos aqui, e de diferentes empresas americanas, por isso estamos a levar isso muito a sério”.
Segundo a governante, o grupo de trabalho permitirá dar “a oportunidade de levantar” questões “específicas” que o Governo já tem ouvido do setor privado dos EUA, e de como “as resolver” por parte do Governo moçambicano, até “para atrair mais empresas”.
Questionada pela Lusa sobre a possibilidade de Moçambique atrair mais investimento dos EUA, alargado a outros setores, defendeu serem necessárias “melhorias no ambiente” de negócios.
Acrescentou que “a melhor forma de atrair mais empresas” norte-americanas “é cuidar” das que já trabalham no país.
“A razão pela qual estou aqui é porque vemos Moçambique como um parceiro comercial capaz e um local promissor para o investimento dos EUA. Por isso, tenho vindo a discutir novas áreas de potenciais parcerias além dos projetos energéticos e mineiros que discutimos”, detalhou.
A visita a Maputo, garantiu, não foi “apenas para falar” e por isso já foi assinado no mesmo dia, na sua presença, um acordo para uma subvenção de 1,875 milhões de dólares (1,6 milhões de euros) da Agência de Comércio e Desenvolvimento dos Estados Unidos da América com a Monte Muambe Mining (MMM), para analisar a viabilidade de extração de terras raras em Tete, Moçambique.
Seguiu-se a assinatura de um memorando de entendimento com o Ministério dos Transportes e Logística moçambicano, que permitirá “trazer pontes para Moçambique e desenvolver essa área crítica de infraestruturas”. Em cima da mesa está a possibilidade de fornecimento e instalação em todo o país de 112 pontes metálicas, envolvendo a norte-americana Acrow Bridge.