Minerais críticos. Europa quer parceria com EUA para combater China

A parceria visa encontrar formas de explorar minerais críticos, contornando a China, que controla a cadeia de abastecimento global e os preços.

Minerais críticos. Europa quer parceria com EUA para combater China
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A União Europeia (UE) quer fechar uma parceria com os EUA para os minerais críticos. A ideia é combater a influência da China, o principal produtor e refinador de boa parte dos minerais mais importantes para a transição energética, como no caso do lítio.

A parceria visa encontrar formas de explorar minerais críticos, contornando a China, que controla a cadeia de abastecimento global e consegue controlar os preços em alguns casos, como no lítio, aumentando a produção e afastando investidores europeus ou americanos, que precisam de preços atrativos para conseguirem financiar os seus projetos.

O acordo pode ser assinado nos próximos três meses, com o nome de ‘Roteiro para uma parceria estratégica’, revela a “Bloomberg” esta terça-feira.

A ideia tem méritos, mas não basta encontrar mais minerais críticos para explorar. É que a capacidade industrial chinesa para processar os minerais não tem comparação. Um caminho feito ao longo de décadas.

O memorando citado pela agência noticiosa destaca que os EUA e UE devem explorar projetos em conjunto e mecanismos de apoio aos preços.

Também recomenda blindar os mercados do excesso de oferta de minerais externos à parceria e outras formas de manipulação do mercado.

A proposta também defende que ambos os lados devem ter uma cadeia de abastecimento em comum.

No entanto, a proposta da União Europeia insiste que ambos os lados devem respeitar a sua integridade territorial, isto é, Bruxelas quer manter os EUA fora da Gronelândia que pertence à Dinamarca.

Os EUA estão a convidar dezenas de ministros de governos de todo o mundo para fechar um acordo global na quarta-feira para combater o domínio chinês nos minerais críticos.

E há outra questão: o preço. Como ficam os preços dos produtos finais, se os produtores de baterias, por exemplo, tiverem de optar por minerais europeus/americanos em detrimento de minerais chineses mais baratos?

A procura por minerais críticos deverá disparar quase 1.000% até 2050. Já 80% da cadeia de abastecimento de terras raras é controlado pela China. O investimento global em energias renováveis e baterias ultrapassa o investimento em combustíveis fósseis em quase 100% anualmente.

A Comissão Europeia considera que as conversações são “vitais para diversificar o nosso abastecimento de um único país”.

Washington considera que o tema é prioritário depois de Pequim ter imposto restrições à exportação de minerais críticos em 2025.

A intenção não é propriamente nova. Em dezembro de 2020, já na reta final do primeiro mandato de Trump, um enviado do Governo norte-americano esteve em Lisboa a defender que os investidores norte-americanos deviam apostar no lítio português.

Na altura, Francis Fannon estava a promover a Iniciativa de Governança de Recursos Energéticos (ERGI, na sigla em inglês) que juntava vários países produtores – EUA, Canadá, Austrália, Botswana e Peru -, mas a iniciativa borregou.

Já em outubro de 2024, o vice-secretário para o Crescimento, Energia e Ambiente do ministério dos Negócios Estrangeiros dos EUA veio a Lisboa defender uma “resposta internacional à República Popular da China”, disse na altura Jose Fernandez.

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