Luís Miguel Ribeiro: “Mercado angolano encerra uma vastidão de oportunidades de negócio para Portugal e Angola”

"A AEP está totalmente empenhada em continuar a estimular o esforço de intensificação do processo de internacionalização da nossa economia com todos os mercados da nossa diáspora e com Angola, em particular", reforça o presidente do conselho de administração da AEP, Luís Miguel Ribeiro, ao JE, depois de encerrada a participação da associação na Feira Internacional de Angola.

Luís Miguel Ribeiro: “Mercado angolano encerra uma vastidão de oportunidades de negócio para Portugal e Angola”
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A Associação Empresarial de Portugal (AEP) organizou a participação na Feira Internacional de Angola (FILDA), a que se juntou uma comitiva de 15 empresas portuguesas, num evento que terminou no domingo. O presidente do conselho de administração da associação, Luís Miguel Ribeiro,  diz ao Jornal Económico (JE), que o mercado angolano possui uma “vastidão” de oportunidades de negócios para Portugal e Angola num contexto de reforço das internacionalização da economia portuguesa. A construção, saúde, seguros, agroalimentar e agroindústria, indústria e serviços são vistos como setores com grande potencialidade.

“A AEP está totalmente empenhada em continuar a estimular o esforço de intensificação do processo de internacionalização da nossa economia com todos os mercados da nossa diáspora e com Angola, em particular”, reforça Luís Miguel Ribeiro.

Esse esforço de internacionalização da economia portuguesa já tem dado os seus frutos. Prova disso é a subida de cerca de 10% das exportações nos primeiros cinco meses deste ano para Angola, face ao ano anterior, como assinala o presidente da AEP, o que constitui um “sinal evidente da dinâmica” das relações entre os dois países.

Luís Miguel Ribeiro refere que a AEP “vai continuar a contribuir para estimular o esforço de intensificação” do processo de internacionalização da economia lusa. É prova disso o trabalho que tem sido feito há anos pela associação que tem ajudado a potenciar “parcerias conjuntas das entidades governamentais nacionais, com a Embaixada de Portugal e a AICEP, assim como com outras entidades parceiras, com o objetivo de aprofundarmos o relacionamento” entre os dois países.

Mas para o presidente da AEP existe potencial para que Portugal possa tirar melhor proveito, ao nível do comércio, com a economia angolana.

“No comércio internacional, Angola foi o 13º país cliente das exportações de bens portuguesas em 2024. Ainda assim, representou apenas um peso de 1,3% do total das exportações de bens em 2024 e 1,6% em 2023, o que demostra o potencial de melhoria das relações comerciais entre os dois países”, diz Luís Miguel Ribeiro.

“Relativamente aos primeiros 5 meses de 2025, observamos uma intensificação das trocas comerciais com Angola, tendo as exportações de bens para esse país crescido 10,6% em relação ao período homólogo, um valor muito superior ao verificado para o total das trocas comerciais portuguesas no mesmo período (3,7%). Este aumento das exportações de bens traduziu-se ainda numa melhoria de Angola no ranking das exportações portuguesas de bens, para a 11ª posição nos meses em causa, uma subida positiva num contexto internacional desfavorável que tem desafiado as relações comercias portuguesas e forçado a sua diversificação de mercados. No que se refere à balança comercial de bens, Portugal tem vindo a registar saldos positivos com Angola, tendo em 2024 uma balança comercial de 932 milhões de euros”, diz o presidente da AEP, demonstrando a cada vez maior importância do comércio entre os dois países.

Luís Miguel Ribeiro sublinha que mais de quatro mil empresas portuguesas exportam para Angola e cerca de 1.200 empresas de origem portuguesa ou capitais mistos operam no mercado angolano, com destaque para o setor da construção.

Ao nível do investimento direto estrangeiro, Luís Miguel Ribeiro assinala que Angola é o 9º país que mais investe em Portugal (tendo em conta o valor do stock de IDE no 4º trimestre de 2024). “Alguns acordos já firmados com a União Europeia, como é o caso do Acordo de Facilitação do Investimento Sustentável União Europeia-Angola, facilitarão a atração e a expansão de investimentos”, afirma o presidente da AEP.

“Para além da dimensão do mercado angolano, destaca-se o dinamismo económico. Angola tem previsões de crescimento muito acima de Portugal, do mundo e das economias mais avançadas, pelo que se trata de um parceiro a privilegiar”, sublinha Luís Miguel Ribeiro.

AEP identifica setores como maior potencialidade

Luís Miguel Ribeiro considera que a construção, saúde, seguros, agroalimentar e agroindústria, indústria e serviços são sectores com “grandes potencialidades” nas relações entre Portugal e Angola.

“A presença neste certame [FILDA] possibilita essa proximidade e são várias as empresas que identificaram já, algumas delas com vários anos de mercado, potenciais negócios a desenvolver para futuro”, salienta o presidente do conselho de administração da AEP.

Luís Miguel Ribeiro considera que apesar do “desafiante momento” em que Angola se encontra a AEP confia que a “resiliência da economia angolana a coloca no caminho da recuperação”, acabando por impactar de forma “positiva”  as quase cinco mil empresas portuguesas que exportam para o país.

“Angola é um mercado muito importante, estamos perante a terceira maior economia da África Subsaariana e o segundo maior produtor petrolífero do continente africano, além de ser um país muito rico em recursos naturais”, assinala Luís Miguel Ribeiro.

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